quarta-feira, 30 de maio de 2012

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO

Leitura e Produção de Texto
A leitura é uma prática constante e diária, segundo ABAURE (2004) se compararmos o número de vezes que escrevemos com o número de vezes que lemos durante o dia, notaremos que a escrita acontece por uma necessidade de anotar um número de telefone, um recado ao contrário da leitura realizada para preparar uma receita de bolo, a bula, o manual de instrução do eletrodoméstico, enfim somos “leitores natos”. “No processo de leitura e construção de sentido dos textos, levamos em conta que a escrita/fala baseiam-se em formas padrão e relativamente estáveis de estruturação” (KOCH 2012), chamada de gênero textual. Outrossim, texto não é apenas um amontoado de palavras, antes se faz necessário articulá-las para que haja alguma conclusão, esse esforço é chamado de coesão textual. Também na escrita são levadas em consideração, entre outros fatores, as normas gramaticais que para países lusófonos, desde 1° de janeiro de 2009, entrou em vigor o Novo Acordo Ortográfico.
A leitura é um testemunho da palavra escrita de diversos idiomas, sem a leitura a visão da pessoa fica apagada em relação ao conhecimento do mundo. Porém, para fazer sentido temos que saber a quem se volta, então não basta só ler é necessário compreender e entender; esse testemunho é também um segmento decorrente da concepção de sujeito, linguagem do texto e de sentido que se adote.
Entendida como captação das idéias do autor sem se levar em conta os conhecimentos do leitor, essa concepção tem como foco o autor. Sendo a língua vista como simples produto de codificação e decodificação de um emissor a ser decodificado, o foco volta-se para o texto. Vista como interação autor-texto-leitor, os sujeitos são vistos como atores sociais, sujeitos ativos que dialogicamente constroem e são construídos no texto, já que exige do leitor bem mais que o conhecimento do código linguístico, uma vez que o texto não é simples produto da codificação de um emissor a ser decodificado por um receptor passivo.

As Estratégias de Leitura
As estratégias de leitura dizem respeito às formas utilizadas pelo leitor para facilitar a compreensão dos dados informativos de um texto. Assim, os procedimentos adotados por cada um se diferenciam, uma vez que nem todos assimilam conhecimento da mesma forma. Algumas táticas de leitura podem despertar interesse a ser um incentivo à leitura. São estratégias: a exposição de pensamentos, quando o leitor expõe, verbaliza o que está pensamento a respeito do que lê. Está prática desperta o interesse da pessoa por aquela leitura sem que perceba; Identificando de fatores chaves o leitor seleciona os elementos mais importantes da narrativa: os verbos, as personagens, as características e qualidades principais. Qual o objetivo do texto? E para qual tipo de leitor? Qual o posicionamento do leitor: a favor ao contra? Perguntas como estas são feitas e respondida pelo próprio leitor depois de analisadas novamente no texto; À medida que lê, o indivíduo faz reproduções mentais acerca dos fatos. Dessa forma, o conteúdo é internalizado através das imagens obtidas através da leitura. Esse é o processo de representação visual dos acontecimentos; outra tática de leitura é o resumo, onde o leitor faz uma síntese do texto. A cada período mais importante, escreve-se uma oração que o resume em um papel ou então no próprio livro, ao lado do parágrafo.
Durante o processo de leitura, o leitor desempenha papel ativo, sendo as inferências um relevante processo cognitivo nesta atividade. A capacidade central do ser humano de dar direção as coisas do mundo permite ao indivíduo fazer sentido do que ouve ou lê, indo muito além do que está explicito ou prontamente acessível, pois o sentido não reside apenas no texto, mas depende sempre de um interprete, a saber, o leitor. Por essa razão, fala-se de um sentido para o texto, visto que, na atividade de leitura, ativa-se: lugar social, vivências, relações com o outro, valores da comunidade e conhecimentos textuais. Dessa forma, o significado não está embutido ou inscrito totalmente no texto oral ou escrito. Embora o texto carregue um sentido pretendido pelo autor, ele é polissêmico e, como tal, oferece possibilidade de ser reconstruído a partir do universo de sentidos do receptor, que lhe atribui coerência através de uma negociação de significado.

Os gêneros Textuais
Há uma variação muito grande de “textos que ocorrem nos ambientes discursivos de nossa sociedade”, chamada de gêneros textuais, estes são “dinâmicos e sofrem variações na sua constituição, que em muitas ocasiões, geram novos gêneros” (Koch, 2012, p. 101). Com auxilio da internet, é possível elencar vários gêneros textuais, dentre eles encontramos: charge, propaganda, carta do leitor, notícia, entrevista, chat, fórum, blog, reportagem, artigo de opinião (escolares e científicos), verbete de enciclopédia, relatório, resumo, resenha de leitura, cadastros, pastitura musical, canção musical, romance, rádio, quadro e pinturas artísticas, escultura, arte digital, contas (luz, telefone, água), ata, editoriais, cartaz, crônica, bula, receita culinária, entrevista, divulgação científica, carta, narração de futebol, memorial, contos, lenda, manuais de instrução, regras de jogo, depoimento, diário de bordo, relato histórico, abaixo assinado, anuncio, classificado, carta aberta, diário, debate, manifesto, relato pessoal, painel, biografia, cheque, monografia, tese de doutorado, bilhete, folheto e panfleto, dissertação argumentativa, rótulo de embalagem.
Alguns autores, tentando nomear os gêneros textuais, dizem que são mais de quatro mil, porém muitos concordam que é difícil nomeá-los, “basta pensarmos, por exemplo, no e-mail ou no blog, práticas sociais e comunicativas decorrentes das variações (“transmutação”) da carta e do diário, respectivamente, propiciadas pelas recentes invenções tecnológicas” (Koch, 2012).
  Essa diversidade de gênero é encontrada na revista “Veja”. Usaremos como fonte de pesquisa textual a edição de 9 de janeiro de 2012, que logo de capa traz o gênero charge, que apresenta um humor característico através da satirização com ilustração de personagens notáveis, com formas fisionômicas deformadas, aquela mais aparente. Esta charge enfatiza um dos assuntos atuais no cenário político nacional: a CPI do cachoeira, dando ênfase a investigação da policia federal denominada de operação Monte Castelo, a “qual tinha como foco central um esquema ilegal de jogos comandados pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinho Cachoeira”. Por esse motivo, o desenho tem como cenário principal uma cachoeira, onde estão presentes caricaturas de alguns políticos que mantinham relações próximas com Cachoeira: governador Sergio Cabral (PMDB – RJ) e Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, juntos num barco, fazendo alusão “as fotos e vídeos do governador, sua mulher e seus secretários mais próximos com Fernando Cavendish a Paris e Mônaco”; Já os governadores Marconi Perillo (PSDB – GO) e Agnelo Queiroz (PT – DF) se afogando nas águas da cachoeira, demonstrando o envolvimento dos dois com Cachoeira. Também em meio às águas está Demostenes Torres (Senador, ex-DEM – GO) que dentre outros motivos está nesta cachoeira por “defender no Congresso, no Judiciário e no Executivo para defender os interesses de Cachoeira”. Também vale ressaltar os enunciados (textos) presentes por remeterem as notícias e reportagens principais, presentes das páginas 76 a 86.
Outro gênero muito presente é a propaganda com seu objetivo final de influenciar na escolha do consumidor, não economiza criatividade. Nas páginas 30 e 31 a Sadia faz propaganda do presunto produzido por ela, aguçando a imaginação e o paladar do leitor que se depara com a imagem da face de pessoa irradiando alegria em levar uma fatia de presunto à boca. Não somente a imagem da pessoa reflete esta irradiação, mais também o plano de fundo, quando é usado um degradê de amarelo partindo da boca da pessoa, e vai suavizando com uma cor mais sóbria. O enunciado enfatiza uma preocupação atual, o consumo de calorias, onde “uma fatia di presunto sadia tem menos de 15 calorias”.  15 calorias é destacada por uma faixa na cor vermelha e o texto escrito na cor amarela, um chamado de atenção. Dialogando com o leitor a propaganda diz: “ficou de boca aberta?”. Este é um recurso presente em maioria das propagandas. Outra característica é a proposta, o desafio lançado ao consumidor “aproveite e pegue mais uma fatia”.
 A Carta do leitor é uma resposta do leitor aos conteúdos apresentados na edição anterior, entre outras características parabenizando o autor de determinada reportagem pela ousadia, pela inovação, pela crítica feita pelo autor, assim como também é uma expressão do leitor sobre os temas relevantes. A carta é uma seleção dos assuntos mais comentados.
A notícia, gênero que relata os fatos ou acontecimentos atuais, perpassa por várias páginas, onde nas páginas 100 e 103, Tatiana Gianini, relata a existência do grupo denominado La Cámpora, “criado por seu falecido marido, Néstor, o grupo tornou-se a tropa de choque dos interesses políticos e das medidas controversas da presidente (Cristina Kirchner). A autora da notícia não destaca sua opinião discretamente sobre tal grupo, porém intertextualiza a notícia com comentários de alguns autores como Laura Di Marco. Uma característica que vale ressaltar é a manchete que traz o enunciado “a guarda Pretoriana do Cristianismo”, ironizando o grupo La Campora, comparando-a com a guarda da Roma antiga responsável pela segurança dos imperadores.
Essa edição da revista Veja também está presente o a entrevista, onde revela aspectos da vida profissional e pessoal de Jonathan Gottschall “pesquisador americano que atribui às obras de ficção o poder de fazer mudanças na sociedade”. Neste jogo de perguntas e respostas o entrevistado reforça a importância da leitura de ficção capaz de despertar a sensibilidade aos leitores e adeptos deste estilo.

Os gêneros Textuais e os Elementos de Coesão
Vários gêneros textuais são encontrados nas revistas, porém serão aqui destacados somente a charge, a propaganda, a carta ao leitor, a notícia e a entrevista, todos significativamente contribuem para enriquecer o conteúdo da revista e dar credibilidade a este veículo de comunicação nacional. Assim viajando por esse universo textual notoriamente percebemos que escrever não é apenas usar palavras, mas articular as argumentações que levem a alguma conclusão, chamada de coesão. São elementos de coesão a conjunção, os advérbios, a preposição, pronome, coesão por retomada, repetição de palavras.
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações e duas palavras de mesma função em uma oração. Exemplo: As crianças iam e vinham, demonstrando completo entusiasmo pela brincadeira. (e: conjunção); As propostas pareciam um absurdo, mas eu concordava inteiramente com elas. (mas: conjunção);
Os advérbios são palavras heterogêneas, ou seja, podem exercer funções as mais diversas na oração. Por isso, a cada função exercida, alia-se um valor significativo. Como modificador, o advérbio expressa uma propriedade dos seres de modo a acrescentar-lhes um significado diferente, "modificado". Isso acontece em relação ao adjetivo, ao próprio advérbio, ou mesmo a uma oração inteira. Exemplos: Ela estava tão apressada que esqueceu seu livro de matemática comigo. (tão: advérbio); Todos passam muito bem, obrigado! (bem: advérbio);
Preposição é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a preposição vincula. Exemplos: Os amigos de João estranharam o seu modo de vestir. (de: preposição); Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio. (com: preposição);
Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou a ele se refere, ou ainda, que acompanha o nome qualificando-o de alguma forma. Exemplos: A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos! (ela: pronome); Essa moça morava nos meus sonhos! (essa: Pronome);
A coesão por retomada é o mais comum mecanismo coesivo do texto jornalístico. Costuma-se, uma vez citado o nome completo de um entrevistado - ou da vítima de um acidente, por exemplo – repeti-se somente o(s) seu(s) sobrenome(s). Quando os nomes em questão são de celebridades (políticos, artistas, escritores, etc.), é de praxe, durante o texto, utilizar a nominalização por meio da qual são conhecidas pelo público. Exemplos: Dilma (para a presidenta da República, Dilma Rousseff), Alcione (para a cantora Alcione Dias Nazareth).
Quando se trata de evitar repetição de palavras, podemos fazer a substituição do vocábulo repetido por sinônimos (ou quase), pronomes, advérbios. Exemplos: João saiu. O garoto estava cansado de ficar em casa. (Em vez de repetir “João”, faz-se a substituição por “o garoto”); É preciso absorver seus conhecimentos. Essa absorção poderá ser parcialmente feita na palestra da próxima semana. (não se repete “seus conhecimentos”).


A Tipologia Textual
Quanto à tipologicamente os textos podem ser: Narrativos, descritivos e dissertativos. O narrativo é a modalidade em que se conta um fato, fictício ou não, que ocorreu num determinado tempo e lugar, envolvendo certas personagens. Refere-se a objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos cercados de narrações desde as que nos contam histórias infantis, como o Chapeuzinho Vermelho ou A Bela Adormecida, até as picantes piadas do cotidiano. O Texto é alterado de forma constante;
O texto descritivo é um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade. Significa "criar" com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da personagem a que o texto se refere. Dificilmente essa tipologia será predominante em um texto. O mais comum é trechos descritivos introduzidos em textos narrativos e dissertativos;
O texto dissertativo consiste em desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, juntamente com o texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em princípio, o texto dissertativo não está preocupado com a persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento, sendo, portanto, um texto informativo. Quando o texto, além de explicar, também persuade o interlocutor e modifica seu comportamento, temos um texto dissertativo-argumentativo.
Até aqui, foi explicitado sobre os tipos textuais, porém alguns aspectos devem ser observados na produção do texto, como a ortografia, onde desde 1° de janeiro de 2009, entrou e vigor o Novo Acordo Ortográfico. O acordo incorpora tanto características da ortografia utiliza por Portugal quanto à brasileira. O trema, que já foi suprimida na escrita dos portugueses, desaparece de vez também no Brasil. Palavras como “lingüiça” e “tranqüilo” passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra “u”. A exceção são nomes estrangeiros e seus derivados como “Müller” e “Hübner”.
Seguindo o exemplo de Portugal, paroxítonas com ditongos abertos “ei” e “oi”, como “idéia”, “heróico” e “assembléia” deixam de levar o acento agudo. O mesmo ocorre com o “i” e o “u” precedidos de ditongos abertos como em “feiúra”. Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos “e” ou “o”, em formas verbais com “vôo”, “dêem” e “vêem”.
Os portugueses não tiveram mudanças na forma como acentuam as palavras, mas na forma escrevem algumas delas. As chamadas consoantes, que não são pronunciadas na fala, serão abolidas da escrita. É o exemplo de palavras como “objecto” e “adopção”, nas quais as letras “c” e “p” não são pronunciadas.
 Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de “k”, “y” e “w”. A utilização dessas letras permanece restrita a palavra de origem estrangeira e seus derivados, como “Kafka” e “kafkiano”, “show”, “play boy” e “kung fu”.

Concluímos assim que a leitura é um processo muito além da decodificação dos signos e surge efeito a partir de algumas estratégias como a identificação de fatores chaves e a representação visual dos acontecimentos. Contudo o que foi dito acima está inevitavelmente ligada à construção do texto e por meio da coesão é facilitada a compreensão da escrita. Por fim, “o escritor não escreve com intenções didático-pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer, para fazer amor. Escreve e ler são formas de fazer amor” (CEREJA 2005).

REFERÊNCIAS

ABAURE, Maria Luiza. Português: linguagens, literatura e produção de textos. 2° Ed. São Paulo: Moderna, 2004;

Adjetivos. Disponível em: http://www.interaula.com/portugues/adjetivoxadv.rbio.htm. Acesso: 29/05/2012;


CEREJA, W. R; MAGALHÃES, T. C. Português Linguagens. V. 1. 5° Ed. São Paulo: Atual, 2005;

Coerência e Coesão no texto dissertativo. Disponível em: http://www.slideshare.net/profa.lucilenefonseca/a-coerncia-e-coeso. Acesso: 29/05/2012;

Conjunção. Disponível em: http://www.interaula.com/portugues/conjun..o.htm. Acesso: 29/05/2012;

KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e Compreender o sentido do texto. 3° Ed. 6° reimpressão. São Paulo: Contexto, 2012;

LÓGICA, Apostilas. Concurso Público: Banco do Brasil, Escrituário. Novo Acordo ortográfico. Lógica, 2012;

VEJA, Revista. Edição 2.268. Ano 45. N° 19. São Paulo: Abril, 2012;
Pronomes. Disponível em:  http://www.interaula.com/portugues/pronome.htm. Acesso: 29/05/2012;

Tipologia Textual. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tipologia_textual. Acesso: 29/05/2012. 

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