Leitura e Produção de
Texto
A
leitura é uma prática constante e diária, segundo ABAURE (2004) se compararmos
o número de vezes que escrevemos com o número de vezes que lemos durante o dia,
notaremos que a escrita acontece por uma necessidade de anotar um número de
telefone, um recado ao contrário da leitura realizada para preparar uma receita
de bolo, a bula, o manual de instrução do eletrodoméstico, enfim somos
“leitores natos”. “No processo de leitura e construção de sentido dos textos,
levamos em conta que a escrita/fala baseiam-se em formas padrão e relativamente
estáveis de estruturação” (KOCH 2012), chamada de gênero textual. Outrossim,
texto não é apenas um amontoado de palavras, antes se faz necessário articulá-las
para que haja alguma conclusão, esse esforço é chamado de coesão textual.
Também na escrita são levadas em consideração, entre outros fatores, as normas
gramaticais que para países lusófonos, desde 1° de janeiro de 2009, entrou em
vigor o Novo Acordo Ortográfico.
A
leitura é um testemunho da palavra escrita de diversos idiomas, sem a leitura a
visão da pessoa fica apagada em relação ao conhecimento do mundo. Porém, para
fazer sentido temos que saber a quem se volta, então não basta só ler é
necessário compreender e entender; esse testemunho é também um segmento
decorrente da concepção de sujeito, linguagem do texto e de sentido que se
adote.
Entendida
como captação das idéias do autor sem se levar em conta os conhecimentos do
leitor, essa concepção tem como foco o autor. Sendo a língua vista como simples
produto de codificação e decodificação de um emissor a ser decodificado, o foco
volta-se para o texto. Vista como interação autor-texto-leitor, os sujeitos são
vistos como atores sociais, sujeitos ativos que dialogicamente constroem e são
construídos no texto, já que exige do leitor bem mais que o conhecimento do
código linguístico, uma vez que o texto não é simples produto da codificação de
um emissor a ser decodificado por um receptor passivo.
As Estratégias de
Leitura
As
estratégias de leitura dizem respeito às formas utilizadas pelo leitor para
facilitar a compreensão dos dados informativos de um texto. Assim, os
procedimentos adotados por cada um se diferenciam, uma vez que nem todos
assimilam conhecimento da mesma forma. Algumas táticas de leitura podem
despertar interesse a ser um incentivo à leitura. São estratégias: a exposição
de pensamentos, quando o leitor expõe, verbaliza o que está pensamento a
respeito do que lê. Está prática desperta o interesse da pessoa por aquela
leitura sem que perceba; Identificando de fatores chaves o leitor seleciona os
elementos mais importantes da narrativa: os verbos, as personagens, as
características e qualidades principais. Qual o objetivo do texto? E para qual
tipo de leitor? Qual o posicionamento do leitor: a favor ao contra? Perguntas
como estas são feitas e respondida pelo próprio leitor depois de analisadas
novamente no texto; À medida que lê, o indivíduo faz reproduções mentais acerca
dos fatos. Dessa forma, o conteúdo é internalizado através das imagens obtidas
através da leitura. Esse é o processo de representação visual dos
acontecimentos; outra tática de leitura é o resumo, onde o leitor faz uma
síntese do texto. A cada período mais importante, escreve-se uma oração que o
resume em um papel ou então no próprio livro, ao lado do parágrafo.
Durante
o processo de leitura, o leitor desempenha papel ativo, sendo as inferências um
relevante processo cognitivo nesta atividade. A capacidade central do ser
humano de dar direção as coisas do mundo permite ao indivíduo fazer sentido do
que ouve ou lê, indo muito além do que está explicito ou prontamente acessível,
pois o sentido não reside apenas no texto, mas depende sempre de um interprete,
a saber, o leitor. Por essa razão, fala-se de um sentido para o texto, visto
que, na atividade de leitura, ativa-se: lugar social, vivências, relações com o
outro, valores da comunidade e conhecimentos textuais. Dessa forma, o
significado não está embutido ou inscrito totalmente no texto oral ou escrito.
Embora o texto carregue um sentido pretendido pelo autor, ele é polissêmico e,
como tal, oferece possibilidade de ser reconstruído a partir do universo de
sentidos do receptor, que lhe atribui coerência através de uma negociação de
significado.
Os gêneros Textuais
Há
uma variação muito grande de “textos que ocorrem nos ambientes discursivos de
nossa sociedade”, chamada de gêneros textuais, estes são “dinâmicos e sofrem
variações na sua constituição, que em muitas ocasiões, geram novos gêneros”
(Koch, 2012, p. 101). Com auxilio da internet, é possível elencar vários
gêneros textuais, dentre eles encontramos: charge, propaganda, carta do leitor,
notícia, entrevista, chat, fórum, blog, reportagem, artigo de opinião
(escolares e científicos), verbete de enciclopédia, relatório, resumo, resenha
de leitura, cadastros, pastitura musical, canção musical, romance, rádio,
quadro e pinturas artísticas, escultura, arte digital, contas (luz, telefone,
água), ata, editoriais, cartaz, crônica, bula, receita culinária, entrevista,
divulgação científica, carta, narração de futebol, memorial, contos, lenda,
manuais de instrução, regras de jogo, depoimento, diário de bordo, relato histórico,
abaixo assinado, anuncio, classificado, carta aberta, diário, debate,
manifesto, relato pessoal, painel, biografia, cheque, monografia, tese de
doutorado, bilhete, folheto e panfleto, dissertação argumentativa, rótulo de
embalagem.
Alguns
autores, tentando nomear os gêneros textuais, dizem que são mais de quatro mil,
porém muitos concordam que é difícil nomeá-los, “basta pensarmos, por exemplo,
no e-mail ou no blog, práticas sociais e comunicativas decorrentes das variações
(“transmutação”) da carta e do diário, respectivamente, propiciadas pelas
recentes invenções tecnológicas” (Koch, 2012).
Essa
diversidade de gênero é encontrada na revista “Veja”. Usaremos como fonte de
pesquisa textual a edição de 9 de janeiro de 2012, que logo de capa traz o
gênero charge, que apresenta um humor característico através da satirização com
ilustração de personagens notáveis, com formas fisionômicas deformadas, aquela
mais aparente. Esta charge enfatiza um dos assuntos atuais no cenário político
nacional: a CPI do cachoeira, dando ênfase a investigação da policia federal
denominada de operação Monte Castelo, a “qual tinha como foco central um
esquema ilegal de jogos comandados pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o
Carlinho Cachoeira”. Por esse motivo, o desenho tem como cenário principal uma
cachoeira, onde estão presentes caricaturas de alguns políticos que mantinham
relações próximas com Cachoeira: governador Sergio Cabral (PMDB – RJ) e
Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, juntos num barco, fazendo alusão
“as fotos e vídeos do governador, sua mulher e seus secretários mais próximos
com Fernando Cavendish a Paris e Mônaco”; Já os governadores Marconi Perillo
(PSDB – GO) e Agnelo Queiroz (PT – DF) se afogando nas águas da cachoeira,
demonstrando o envolvimento dos dois com Cachoeira. Também em meio às águas
está Demostenes Torres (Senador, ex-DEM – GO) que dentre outros motivos está
nesta cachoeira por “defender no Congresso, no Judiciário e no Executivo para
defender os interesses de Cachoeira”. Também vale ressaltar os enunciados
(textos) presentes por remeterem as notícias e reportagens principais,
presentes das páginas 76 a 86.
Outro
gênero muito presente é a propaganda com seu objetivo final de influenciar na
escolha do consumidor, não economiza criatividade. Nas páginas 30 e 31 a Sadia
faz propaganda do presunto produzido por ela, aguçando a imaginação e o paladar
do leitor que se depara com a imagem da face de pessoa irradiando alegria em
levar uma fatia de presunto à boca. Não somente a imagem da pessoa reflete esta
irradiação, mais também o plano de fundo, quando é usado um degradê de amarelo
partindo da boca da pessoa, e vai suavizando com uma cor mais sóbria. O enunciado
enfatiza uma preocupação atual, o consumo de calorias, onde “uma fatia di
presunto sadia tem menos de 15 calorias”.
15 calorias é destacada por uma faixa na cor vermelha e o texto escrito
na cor amarela, um chamado de atenção. Dialogando com o leitor a propaganda
diz: “ficou de boca aberta?”. Este é um recurso presente em maioria das
propagandas. Outra característica é a proposta, o desafio lançado ao consumidor
“aproveite e pegue mais uma fatia”.
A Carta do leitor é uma resposta do leitor aos
conteúdos apresentados na edição anterior, entre outras características
parabenizando o autor de determinada reportagem pela ousadia, pela inovação,
pela crítica feita pelo autor, assim como também é uma expressão do leitor
sobre os temas relevantes. A carta é uma seleção dos assuntos mais comentados.
A
notícia, gênero que relata os fatos ou acontecimentos atuais, perpassa por
várias páginas, onde nas páginas 100 e 103, Tatiana Gianini, relata a
existência do grupo denominado La Cámpora, “criado por seu falecido marido,
Néstor, o grupo tornou-se a tropa de choque dos interesses políticos e das
medidas controversas da presidente (Cristina Kirchner). A autora da notícia não
destaca sua opinião discretamente sobre tal grupo, porém intertextualiza a
notícia com comentários de alguns autores como Laura Di Marco. Uma
característica que vale ressaltar é a manchete que traz o enunciado “a guarda
Pretoriana do Cristianismo”, ironizando o grupo La Campora, comparando-a com a
guarda da Roma antiga responsável pela segurança dos imperadores.
Essa
edição da revista Veja também está presente o a entrevista, onde revela
aspectos da vida profissional e pessoal de Jonathan Gottschall “pesquisador
americano que atribui às obras de ficção o poder de fazer mudanças na
sociedade”. Neste jogo de perguntas e respostas o entrevistado reforça a
importância da leitura de ficção capaz de despertar a sensibilidade aos
leitores e adeptos deste estilo.
Os gêneros Textuais e
os Elementos de Coesão
Vários
gêneros textuais são encontrados nas revistas, porém serão aqui destacados
somente a charge, a propaganda, a carta ao leitor, a notícia e a entrevista,
todos significativamente contribuem para enriquecer o conteúdo da revista e dar
credibilidade a este veículo de comunicação nacional. Assim viajando por esse
universo textual notoriamente percebemos que escrever não é apenas usar
palavras, mas articular as argumentações que levem a alguma conclusão, chamada
de coesão. São elementos de coesão a conjunção, os advérbios, a preposição,
pronome, coesão por retomada, repetição de palavras.
Conjunção
é a palavra invariável que liga duas orações e duas palavras de mesma função em
uma oração. Exemplo: As crianças iam e vinham, demonstrando completo entusiasmo
pela brincadeira. (e: conjunção); As propostas pareciam um absurdo, mas eu
concordava inteiramente com elas. (mas: conjunção);
Os
advérbios são palavras heterogêneas, ou seja, podem exercer funções as mais
diversas na oração. Por isso, a cada função exercida, alia-se um valor
significativo. Como modificador, o advérbio expressa uma propriedade dos seres
de modo a acrescentar-lhes um significado diferente, "modificado".
Isso acontece em relação ao adjetivo,
ao próprio advérbio, ou mesmo a uma oração
inteira. Exemplos: Ela estava tão apressada que esqueceu seu livro de matemática comigo. (tão:
advérbio); Todos passam muito bem, obrigado! (bem: advérbio);
Preposição
é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração.
Essa relação é do tipo subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela
preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário,
o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a
preposição vincula. Exemplos: Os amigos de João estranharam o seu modo de
vestir. (de: preposição); Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio. (com:
preposição);
Pronome
é a palavra que se usa em lugar do nome,
ou a ele se refere, ou ainda, que acompanha o nome qualificando-o de alguma
forma. Exemplos: A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos! (ela:
pronome); Essa moça morava nos meus sonhos! (essa: Pronome);
A
coesão por retomada é o mais comum mecanismo coesivo do texto jornalístico.
Costuma-se, uma vez citado o nome completo de um entrevistado - ou da vítima de
um acidente, por exemplo – repeti-se somente o(s) seu(s) sobrenome(s). Quando
os nomes em questão são de celebridades (políticos, artistas, escritores,
etc.), é de praxe, durante o texto, utilizar a nominalização por meio da qual
são conhecidas pelo público. Exemplos: Dilma (para a presidenta da República,
Dilma Rousseff), Alcione (para a cantora Alcione Dias Nazareth).
Quando
se trata de evitar repetição de palavras, podemos fazer a substituição do
vocábulo repetido por sinônimos (ou quase), pronomes, advérbios. Exemplos: João
saiu. O garoto estava cansado de ficar em casa. (Em vez de repetir “João”,
faz-se a substituição por “o garoto”); É preciso absorver seus conhecimentos.
Essa absorção poderá ser parcialmente feita na palestra da próxima semana. (não
se repete “seus conhecimentos”).
A Tipologia Textual
Quanto
à tipologicamente os textos podem ser: Narrativos, descritivos e dissertativos.
O narrativo é a modalidade em que se conta um fato, fictício ou não, que
ocorreu num determinado tempo e lugar, envolvendo certas personagens. Refere-se
a objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O
tempo verbal predominante é o passado. Estamos cercados de narrações desde as
que nos contam histórias infantis, como o Chapeuzinho Vermelho ou A Bela
Adormecida, até as picantes piadas do cotidiano. O Texto é alterado de forma
constante;
O
texto descritivo é um texto
em que se faz um retrato
por escrito de um lugar,
uma pessoa,
um animal
ou um objeto.
A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo,
pela sua função
caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações
ou sentimentos.
Não há relação de anterioridade e posterioridade. Significa "criar"
com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do
objeto ou da personagem a que o texto se refere. Dificilmente essa tipologia
será predominante em um texto. O mais comum é trechos descritivos introduzidos
em textos narrativos e dissertativos;
O
texto dissertativo consiste em desenvolver ou explicar um assunto, discorrer
sobre ele. Assim, o texto dissertativo pertence ao grupo dos textos
expositivos, juntamente com o texto de apresentação científica, o relatório, o
texto didático, o artigo enciclopédico. Em princípio, o texto dissertativo não
está preocupado com a persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento,
sendo, portanto, um texto informativo. Quando o texto, além de explicar, também
persuade o interlocutor e modifica seu comportamento, temos um texto
dissertativo-argumentativo.
Até
aqui, foi explicitado sobre os tipos textuais, porém alguns aspectos devem ser
observados na produção do texto, como a ortografia, onde desde 1° de janeiro de
2009, entrou e vigor o Novo Acordo Ortográfico. O acordo incorpora tanto
características da ortografia utiliza por Portugal quanto à brasileira. O
trema, que já foi suprimida na escrita dos portugueses, desaparece de vez
também no Brasil. Palavras como “lingüiça” e “tranqüilo” passarão a ser
grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra “u”. A exceção são nomes
estrangeiros e seus derivados como “Müller” e “Hübner”.
Seguindo
o exemplo de Portugal, paroxítonas com ditongos abertos “ei” e “oi”, como
“idéia”, “heróico” e “assembléia” deixam de levar o acento agudo. O mesmo
ocorre com o “i” e o “u” precedidos de ditongos abertos como em “feiúra”.
Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos “e” ou
“o”, em formas verbais com “vôo”, “dêem” e “vêem”.
Os
portugueses não tiveram mudanças na forma como acentuam as palavras, mas na
forma escrevem algumas delas. As chamadas consoantes, que não são pronunciadas
na fala, serão abolidas da escrita. É o exemplo de palavras como “objecto” e
“adopção”, nas quais as letras “c” e “p” não são pronunciadas.
Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26
letras, com a inclusão de “k”, “y” e “w”. A utilização dessas letras permanece
restrita a palavra de origem estrangeira e seus derivados, como “Kafka” e
“kafkiano”, “show”, “play boy” e “kung fu”.
Concluímos
assim que a leitura é um processo muito além da decodificação dos signos e
surge efeito a partir de algumas estratégias como a identificação de fatores
chaves e a representação visual dos acontecimentos. Contudo o que foi dito
acima está inevitavelmente ligada à construção do texto e por meio da coesão é
facilitada a compreensão da escrita. Por fim, “o escritor não escreve com
intenções didático-pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer, para fazer
amor. Escreve e ler são formas de fazer amor” (CEREJA 2005).
REFERÊNCIAS
ABAURE, Maria Luiza. Português: linguagens, literatura e produção de textos. 2°
Ed. São Paulo: Moderna, 2004;
Adjetivos. Disponível em: http://www.interaula.com/portugues/adjetivoxadv.rbio.htm. Acesso:
29/05/2012;
Advérbio. Disponível em: http://www.interaula.com/portugues/locu..oprepositivaxlocu..oadverbial.htm. Acesso:
29/05/2012;
CEREJA, W. R; MAGALHÃES, T. C. Português Linguagens. V. 1. 5° Ed. São
Paulo: Atual, 2005;
Coerência e
Coesão no texto dissertativo. Disponível em: http://www.slideshare.net/profa.lucilenefonseca/a-coerncia-e-coeso. Acesso:
29/05/2012;
KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. Ler e Compreender o sentido do texto.
3° Ed. 6° reimpressão. São Paulo: Contexto, 2012;
LÓGICA, Apostilas. Concurso Público: Banco do Brasil,
Escrituário. Novo Acordo ortográfico. Lógica, 2012;
VEJA, Revista. Edição 2.268. Ano
45. N° 19. São Paulo: Abril, 2012;
Tipologia Textual. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tipologia_textual. Acesso:
29/05/2012.
Nenhum comentário:
Postar um comentário