terça-feira, 12 de novembro de 2013

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Freud e aplicação da psicologia na educação
Nascido no ano de 1856 em Freiberg, na Morávia, Sigmund Freud é considerado o pai da psicanálise. Estudou medicina na Universidade de Viena e desde cedo se especializou em neurologia. Seus estudos foram os pioneiros acerca do inconsciente humano e suas motivações, surgindo assim à possibilidade de compreender fenômeno educativo através dessa teoria. A psicanalise se apoia sobre três pilares: o conteúdo psíquico dos instintos sexuais, a censura e mecanismo de transferência.
 A respeito do inconsciente Freud afirmava:
“o inconsciente é o próprio psíquico e sua realidade essencial. Sua natureza íntima nos é tão desconhecida como a realidade do mundo exterior, e a consciência nos ensina sobre ela de uma maneira tão incompleta como nossos órgãos dos sentidos sobre o mundo exterior”.

Dentre os fatores levados em consideração para compreender o inconsciente está na sexualidade que seria todo tipo de comportamento resultado em gratificação física, que produzisse sensações de prazer, relacionada com as necessidades corporais. Sigmund passou a trabalhar com seus pacientes neuróticos que logo apresentaram novos dados, até tratou casos de histeria, perturbações e que para ele, tinha como causa a repressão da atividade sexual e segundo o psicanalista seriam três personalidades básicas: o id, o ego e o superego, portanto, estes conceitos revelaram-se para de extrema utilidade, pois serviu para explicar os fenômenos psíquicos, pois já que o foco da psicanalise é a relação entre as energias oriundas do id e os impedimentos que o superego lhes impõe. Já que o id designaria os impulsos, as motivações e desejos mais primitivos do ser humano, das quais o sujeito se adapta ao meio ambiente e a personalidade consiste basicamente neste conflito entre os desejos instintivos e as normas interiorizadas da sociedade.
Freud acreditava inicialmente que um dos meios para evitar o aparecimento de sintomas neuróticos seria oferecer uma educação não repressiva que respondesse aos questionamentos da criança à medida que eles fossem surgindo. A censura é representada pelo superego, que inibe os instintos inconscientes para que eles não sejam exteriorizados.
Ele também percebia como os sintomas neuróticos poderiam resultar em certa inibição intelectual. É inquestionável que a pura liberdade não educa e não cria indivíduos saudáveis, pelo contrario, cria inadaptados, narcísicos que acreditam que o mundo gira à sua volta e que nada existe além de suas necessidades individuais.
Para finalizar, na educação é fundamental estimular os alunos para a convivência em grupo, pois ninguém aprende só, mas em contato com o outro, pois o grupo supera o individualismo e me conjunto acontece o crescimento e se supera as dificuldades, criando um ambiente de respeito para que as crianças possam desenvolver sua sexualidade de forma saudável, sem tabus, sem medos de sentir o outro, é uma caminhada rumo às novas experiências dos sentidos. Anderson Américo (2012) parafraseando Michelle Carioca diz: “A ideia do psicólogo da educação é promover autonomia para a criança”.

Piaget e a psicologia do desenvolvimento

Dentre as contribuições que a psicologia traz a educação esta a Psicologia do Desenvolvimento que estuda o desenvolvimento humano em todos os seus aspectos: intelectual, afetivo-emocional, social e físico motor, do nascimento até a idade adulta. Dentro desta área psicológica destaca-se Jean e segundo este, o pensamento infantil passa por quatro estágios.

Piaget (1896 a 1980) nasceu em Neuchâtel, Suíça, desenvolveu o método que tem como objetivo “compreender como o sujeito se constitui enquanto sujeito cognitivo, elaborador de conhecimentos válidos” (TERRA, 2012). A modelo piagetiano é desenvolvido dentro dos quatros estágios, ou períodos do pensamento infantil que são: Período Sensório-Motor, Pré-Operatório, Período de Operações Concretas, Operações Formais.  Formulando o conceito de epigênese argumenta que “‘o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata pré-formada no sujeito, mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas’” (Idem).

Cada um deste período está assim divido:

Período Sensório-Motor (0 a 2 anos) neste período, a criança desenvolve a percepção e os movimentos conquistando o ambiente mediante a percepção e os movimentos. Quando recém nascido o bebê movimenta os olhos seguindo quem está a sua frente, conseguindo pegar os objetos, como uma folha de papel, rasga-a, mastiga, ou seja, boa parte dos atos da criança está voltado em levar a boca tudo o que ela consegue alcançar, batendo no chão, jogando a criança descobre a consistência dos objetos, descobre os sons provocados pelos mesmos, ao cair, por exemplo.

Período Pré-Operatório (2 a 7 anos): o aspecto mais importante deste período é o aparecimento da linguagem, ocorre uma aceleração no desenvolvimento do pensamento. Segundo Terra “Na linha piagetiana a linguagem é considerada como uma condição necessária, mas não suficiente ao desenvolvimento, pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva que não é dado pela linguagem”, também nessa fase a criança desenvolve capacidade de trabalhar com representações para atribuir significados à realidade, é o chamado de faz de conta e “é nesse período que ocorre a completa maturação neurofisiológica, com o desenvolvimento da coordenação” (BASQUEIRA E AFONSO, 2012, pag. 37).

Período das Operações Concretas (7 a 11/12): este período é caracterizado pelo início da construção do raciocínio lógico, além disso, surgem as noções de conservação de comprimento, quantidade, peso e, ao final do período, de volume. Afetivamente, surge o sentimento de pertença a um grupo, que se torna cada vez mais intenso, por fim outro aspecto importante desse período é o desenvolvimento da cooperação, importante facilitadora do trabalho em grupo.

              Período das Operações Formais (11/12 anos em diante): neste período, ocorre a passagem do pensamento concreto para o abstrato, ou seja, o adolescente torna-se capaz de realizar as operações no plano das ideias, sem a necessidade de manipular objetos concretos, ou seja, são ampliadas as capacidades conquistadas na fase anterior a criança adquire "capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais e constrói os seus próprios (adquirindo, portanto, autonomia)" (TERRA, 2012).

            Por fim, Terra (2012) afirma "a teoria psicogenética de Piaget não tinha como objetivo principal propor uma teoria de aprendizagem ao que se sabe, ele [Piaget] nunca participou diretamente nem coordenou uma pesquisa com objetivos pedagógicos", porém seu método “veio a se tornar uma das mais importantes diretrizes no campo da aprendizagem escolar”. Concluímos este texto como o pensamento de psicólogo estudado: “O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os resultados, mas é antes de tudo aprender a aprender, é aprender a se desenvolver e aprender a continuar a se desenvolver depois da escola”. 

Wallon e a sua contribuição para a Educação
Henri Paul Hyacinthe Wallon nasceu em Paris, França, em 1879, Graduou-se em medicina e psicologia. Fez também filosofia. Na primeira Guerra Mundial (1914-1918) trabalhou como médico. Criou um laboratório de psicologia biológica da criança e quatro anos mais tarde tornou-se professor da universidade de Universidade Sorbonne. Em sua teoria não considera somente um fator contribuinte para o desenvolvimento infantil, mas um grupo de fatores, por isso contrapôs-se ao ensino tradicional da época, e um movimento que fazia frente a isso era a Educação Nova.
  A educação, na época de Paul Wallon, levava em consideração a memória e a erudição como fatores máximos de aprendizagem, porém sua teoria causa uma revolução para aquele período, pois considera fundamental para o aprendizado quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa, ou seja, estuda o desenvolvimento da criança em sues domínios afetivo, cognitivo e motor. Sendo assim, segundo Galvão (2012) “a Educação deve atender simultaneamente à formação integral do indivíduo e à constituição da sociedade, instrumentalizando o indivíduo a participar da coletividade”
Por que levar em consideração os fatores descritos acima? Em primeiro lugar por que a afetividade é um dos principais elementos do desenvolvimento humano, pois “a raiva, a alegria, o medo, a tristeza e os sentimentos mais profundos ganham função relevante na relação da criança com o meio” (Abril, 2012).  Enquanto que a escola em sua maioria condiciona as crianças a sentarem um atrás da outra, imobilizando-as nas carteiras o movimento, segundo a teoria de Wallon “as emoções dependem da organização do espaço pedagógico. A motricidade, portanto, tem caráter pedagógico, tanto pela qualidade do gesto e do movimento quanto por sua representação” (Idem), o movimentar-se pela sala, poder olhar o colega face a face e não pelas costas desenvolve na criança a socialização.
Outro fator levado em consideração na teoria waloniana é que a construção do eu depende essencialmente do outro. “Principalmente a partir do instante em que a criança começa a viver a chamada crise de oposição, em que a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento de descoberta de si própria”. Isso acontece por volta dos 3 anos quando a criança começa a descobrir que “eu” sou. Outras características comuns nesta fase são “Manipulação (agredir ou se jogar no chão para alcançar o objetivo), sedução (fazer chantagem emocional com pais e professores) e imitação do outro”.
Integrar estes fatores descritos a cima a educação é um desafio para a educação, levar em consideração que cada criança é um universo em construção, onde muitos valores estão se firmando, confere um novo sentido a escola que assim deixa de ser somente um meio de transmissão de conteúdos assumindo o verdadeiro papel de educar e formar pessoas que possam transformar a sociedade, isto que se espera do ambiente escolar: ajudar a criança a se desenvolver com o meio. Como diz esta máxima de Wallon “O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna”.

Quem foi Lev Vygotsky e a sua contribuição para a Educação?
No dia 17 de novembro de 1896, em uma pequena cidade de Orsah, região dominada pela Rússia, Nascia um dois maiores conhecedores da pedagogia naquela época. Lev Vygotsky estudou Direito, História e Literatura na universidade de Moscou. Ele visava compreender os processos de interação existente entre atividade humana e elaborou uma teoria que tem como base o desenvolvimento do individuo com processo sócio histórico e o papel de linguagem e dando origem a vida do consciente e do pensamento.
Seu conceito foi um problema central na psicologia, e mais importante para o ensino da ciência, seu trabalho foi mais abrangente quando abriu caminho para a zona de desenvolvimento potencial ou proximal, ajudando avançar de um nível real de desenvolvimento para área da potencialidade, através da mediação realizada pelo “outro”.
Sua contribuição era considerar as crianças como o sujeito social que constroem o conhecimento socialmente produzido, essa maneira de ver “confere à teoria uma postura ‘sócio interacionista”, pela colocação de que o conhecimento é construído na interação sujeito-objeto e de que essa ação do sujeito sobre o objeto é socialmente mediada” (PEREIRA, 2012). É em apropriação ativa do conhecimento disponível na sociedade em que a criança nasce. Esse processo deve ser ocorrido na fase escolar, devendo ser provocada de fora para dentro pelo professor, que é uma figura fundamental no processo de preparação do aluno, para Vygotsky com todo esse processo de ensino-aprendizagem inclui sempre aquele que aprende, aquele que ensina e a relação entre as pessoas. Tudo isso é fruto de uma influencia das experiências de cada pessoa, que também mostra que a realidade das trocas que se dão no plano verbal entre o professor e os alunos que iram influenciar decisivamente na forma como as crianças tornam mais complexos o seu pensamento e processam novas informações.
Para finalizar, apesar do pouco tempo que viveu os estudos Lev Vygotsky foram tão importantes que dificilmente deixa de ser falado em qualquer discussão séria sobre o processo de aprendizagem e no desenvolvimento interno e na interação com outra pessoa, e um das máximas dele diz: “o saber que não vem da experiência não é realmente saber” (FERRARI, 2012), atribuindo muita importância ao papel do professor como impulsionador do desenvolvimento psíquico das crianças.


Referências
AMERICO, Anderson. Psicologia na educação. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=LIIExjaikmk. Acesso em 18 de agosto de 2012.
BASQUEIRA, Ana Paula; AFFONSO, Sueli A. B. Psicologia da Educação. Valinhos, pag. 37. Disponível em: www.anhanguera.com. Acesso em: 01/02/2012;
Freud e a educação. Disponível em:   http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_da_educa%C3%A7%C3%A3o#Freud_e_Educa.C3.A7.C3.A3o.  Acesso em 18 de agosto de 2012.
GALVÃO, Izabel. Uma reflexão pedagógica sobre o pensamento de Henri Wallon. Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/dea_a.php?t=009. Acesso em 27 de agosto de 2012.
Pensadores da educação: Jean Piaget. Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/pensadores-da-educacao/jean-piaget.shtml. Acesso em 13/08/2012;
SANTOS, Fernando Tadeu. Pedagogia:     Henri Wallon. Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/henri-wallon-307886.shtml. Acesso em 27 de agosto de 2012.

Sigmund Freud. Disponível em: http://culturabrasil.pro.br/freud.htm. Acesso em 18 de agosto de 2012.

TERRA, Marcia Regina. O Desenvolvimento Humano na Teoria de Piaget. Disponível em: http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm. Acesso em 13/08/2012.

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