Gestão
Educacional Brasileira e sua implicação no cotidiano da escola
A Gestão
Escolar, anteriormente nomeada como “Administração Escolar”, embora muitas de
suas funções que hoje lhe são atribuídas já existissem, é um termo recente. A
mudança de denominação não foi apenas na escrita, mas também de concepções
teóricas a respeito dessa atividade, e, além disso, reflete as transformações
oriundas de um determinado contexto histórico.
A origem
normativa no Brasil foi a Constituição Federal de 1988 que institucionalizou a
“Gestão Democrática do Ensino Público”, sendo dessa forma assegurada como o
princípio da educação pública. A partir dessa lei a organização escolar ganha
um novo perfil, agora não mais embasada nos mesmo princípios da administração,
mas, sim, nos princípios da gestão, por possuir um caráter mais democrático.
O Gestor
educacional encontra muitas dificuldades dentro do espaço escolar, visto que as
pessoas que ali trabalham pensam diferente uns dos outros e muitos não
conseguem se adaptar ao novo, não são flexíveis, e não estão abertos para as
novas ferramentas que existem para facilitar o trabalho em sala de aula e aí
entra o gestor como o mediador para buscar soluções e sanar os problemas que
afetam o ambiente de trabalho.
Diante da
modernidade o papel do gestor é imprescindível para dar sentido as novas
conquistas e efetivar as relações democráticas afetivas e escolares. Para isso
faz-se necessário que se invista na mudança de atitudes dos profissionais da
educação da escola para que os mesmos aceitem os novos desafios através de
estímulo e queiram ir além dos seus próprios limites.
O diretor
escolar tem como função tornar a escola menos excludente, pois se existe
planejamento, preocupação de estar tendo um ensino voltado para todos, estamos
contribuindo para uma educação de qualidade. A escola tem que investir mais na
formação continuada de seus profissionais, dando assim aos mesmos suportes para
que possam ter segurança e capacidade de inovar.
A principal
função do administrador escolar é realizar uma liderança política, cultural, e
pedagógica, sem perder de vista a competência técnica para administrar a
instituição que dirige, demonstra que o diretor e a escola contam com
possibilidades de, em cumprimento com a legislação que os rege, usar
criatividade e colocar o processo administrativo a serviço do pedagógico e
assim facilitar a elaboração de projetos educacionais que sejam resultantes de
uma construção coletiva dos componentes da escola.
A função do gestor não é somente tomar decisões, mas sim contribuir
para que todos que ali convivem no espaço escolar possa ter estimulo,
incentivando a todos no processo de aperfeiçoamento profissional, fazendo com
que as mudanças que normalmente ocorrem num processo democrático sejam
organizadas da melhor maneira possível. Pois, em todos os setores faz-se
necessário um líder que possa estar à frente conduzindo de forma democrática o
processo administrativo e este administrador tem que ter condições de diálogo,
e requer que o mesmo esteja preparado para o exercício de tal função visto que
o mesmo precisa saber lidar com o diferente, com pessoas que pensam e age
diferente uma das outras e ser o mediador neste processo administrativo.
Nessa dimensão de abertura e diálogo, a comunicação surge como elemento
chave. Uma comunicação que não se confunde apenas com um conviver, mas como uma
relação intencional, onde uma pessoa age sobre outra, partilhando pensamentos. A
comunicação como partilha e diálogo vão além do transmitir, do anunciar, é uma
comunicação que implica em confiança e coerência. E confiança sem transparência
não é possível.
Vivemos numa tensão constante, entre ser aprendiz e educador. O ponto
de equilíbrio pode ser, nesse sentido, a comunicação, o diálogo, valorizando as
pessoas e a própria obra educacional em constante diálogo, num processo
permanente de abertura ao outro, pois quando o gestor se propõe a valorizar os
professores buscando novos meios, investindo nos recursos humanos e
tecnológicos, mostrando à abertura as novas mudanças, torna a escola um
ambiente humanizado, e que dificilmente os levará a ter dificuldades.
Quanto mais se conhece e investe em seu crescimento e aprendizado pessoal,
mais terá condições de encontrar soluções que estimulem todos da comunidade
escolar a alcançarem seus objetivos, de forma criativa e não simplesmente por
imposição ou uso inadequado do poder, dessa forma perceberá quais sãos os
aspectos que precisa trabalhar, conquistar, melhorar e manter em si mesmo.
Programas
que visam à melhoria da gestão educacional da Educação Básica
Criado
em 15 de março de 2007, o governo brasileiro criou o Plano de Desenvolvimento
da Educação, incluindo diversos programas que visam diminuir a disparidade
educacional que existe com relação aos países desenvolvidos, as quais
contribuem para que as escolas e secretarias de Educação se organizem no
atendimento aos alunos, dentre os programas está o Programa Nacional Escola de
Gestores da Educação Básica Pública.
O
referido Programa:
Surgiu da necessidade de se construir
processos de gestão escolar compatíveis com a proposta e a concepção da
qualidade social da educação, baseada nos princípios da moderna administração
pública e de modelos avançados de gerenciamento de instituições públicas de
ensino, buscando assim, qualificar os gestores das escolas da educação básica
pública, a partir do oferecimento de cursos de formação a distância. (BRASIL,
2015).
São
três os objetivos que o Ministério da Educação estipula para educação básica de
qualidade (Idem):
- Formar, em nível de especialização
(lato sensu), gestores educacionais efetivos das escolas públicas da educação
básica, incluídos aqueles de educação de jovens e adultos, de educação especial
e de educação profissional.
-
Contribuir com a qualificação do gestor escolar na perspectiva da gestão
democrática e da efetivação do direito à educação escolar com qualidade social.
Assim
sendo o primeiro passo para uma boa gestão escolar começa com a formação, ou
melhor, a especialização, que perpassar por diversos âmbitos dos setores
escolares, ou seja, os diferentes públicos componentes desta organização
atualmente, principalmente quando a pratica educacional pende para o mercado de
trabalho. Contudo também é necessário unir a formação humana, uma vez que
imprescindível para poder lidar com os diferentes conflitos entre professores,
alunos, saber ouvir, entre outros aspectos. Só assim
poderá enquadrar-se no novo modelo de gestão, a gestão democrática.
Na
gestão democrática há a necessidade de integrar dos diversos segmentos que
compõem a escola, dessa forma ela é caracterizada por uma dinâmica onde
valoriza-se a participação dos pais, professores, alunos, funcionários, direção
e administração. Por que adotar tal comportamento? Porque a escola, vista como
uma instituição social e política, vem passando por diversas mudanças no
conhecimento, organização e formas de pensar.
Como
em toda profissão/cargo é necessário não se conforma apenas com formação
recebida para adquirir o título, mas o bom profissional busca está em constante
aprendizagem, por isso há três projetos/cursos envolvidos no Programa Nacional
Escola de Gestores da Educação Básica Pública que visam promover a formação
inicial e continuada.
No
Projeto do Curso de Especialização em Coordenação Pedagógica objetiva “articular
os conhecimentos sobre os processos de gestão e organização do trabalho
pedagógico e propiciar discussões e reflexões sobre a prática escolar” (BRASIL,
2015, p. 05).
O
Projeto do Curso de Aperfeiçoamento em Gestão Escolar “pretende democratizar
ainda mais o acesso a novos espaços e ações formativas com vistas ao
fortalecimento da escola pública como direito social básico” (Idem, p. 04).
Quanto
ao Projeto do Curso de Especialização em Gestão Escolar, o mesmo visa oferecer
a formação Lato Sensu, destinada
exclusivamente ao Diretor e ao Vice-Diretor. Vale ressaltar alguns requisitos
básicos para a participação no curso, entre eles: ter concluído curso de
graduação plena e ser gestor efetivo, em exercício, de escola pública municipal
e/ou estadual de educação básica, incluído aqueles de Educação de Jovens e
Adultos, de Educação Especial e de Educação Profissional. O objetivo básico do
programa é “contribuir com a formação efetiva de gestores educacionais da
escola pública, de modo que disponham de elementos teórico-práticos que
viabilizem uma educação escolar básica com qualidade social” (BRASIL, 2015, p.
4).
Por
fim, mediante as transformações que sociedade vem passando a escola não pode
continuar com práticas que remetem a décadas passadas, assim os atores que
fazem parte da gestão jamais devem ficar estagnados conformados somente a com
formação inicial que passaram, mas buscar aperfeiçoar ajudará a criar uma
escola volta para formação social de seus alunos.
A importância do
projeto político pedagógico
Para
que a escola consiga cumprir com seu dever todos os envolvidos devem participar
de forma ativa, e o gestor desempenha muito importante neste processo, como
articulador e principalmente na construção e cumprimento do Projeto Político
Pedagógico. Um ponto muito importante na construção do Projeto é a elaboração
coletiva.
Muitas
mudanças ocorreram no ambiente escolar nas ultimas décadas, sempre no intuito
de formar o individuo para a democracia embasada na cidadania e no respeito
para com o próximo. Estes mesmos princípios norteiam as práticas do corpo
docente e gestor, configurado pela ação democrática. Neste sentido a gestão educacional
democrática visa formar a parceria entre a escola e a comunidade, e as práticas
do gestor devem ser norteadas por ações como conhecer os processos de
administração, planejamento, estrutura organizacional, direção, avaliação e
prática docente.
Mas
para guiar todas as ações é preciso descrever detalhadamente todos os aspectos
que culminaram com criação do Projeto Político Pedagógico – PPP – que acima de
tudo reflete a proposta educacional da escola. O projeto de deve ser construído
em participação com a comunidade e deve refletir “as intenções, os objetivos,
as aspirações e os ideais da equipe escolar. Entre as razões que justificam a
importância desse projeto estão: a atividade conjunta; as práticas
participativas; a prática educativa; e a autonomia da equipe escolar” (BASTOS,
2014, p. 34). No site Gestão escolar são definidas as palavras que compõe o PPP:
É projeto
porque reúne propostas de ação concreta a executar durante determinado período
de tempo.
É político
por considerar a escola como um espaço de formação de cidadãos conscientes,
responsáveis e críticos, que atuarão individual e coletivamente na sociedade,
modificando os rumos que ela vai seguir.
É pedagógico
porque define e organiza as atividades e os projetos educativos necessários ao
processo de ensino e aprendizagem.
Estas
definições refletem muito bem sobre as finalidades do projeto: construir a
identidade, os princípios norteadores e as normas que esclarecem as ações
pedagógicas do dia a dia, ajudando a escola na definição de suas prioridades e
metas, decidir as práticas para alcançar as metas, medindo e avaliando o
desempenho da escola.
É
através dos princípios democráticos apontados pela Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB) de 1996 que podemos encontrar o aporte legal da escola
na elaboração da sua proposta pedagógica. De acordo com os artigos 12, 13 e 14
da LDB, a escola tem autonomia para elaborar e executar sua proposta
pedagógica, porém, deve contar com a participação dos profissionais da educação
e dos conselhos ou equivalentes na sua elaboração.
O
Projeto deve contemplar os seguintes pontos:
Ø Missão
Ø Clientela
Ø Dados
sobre a aprendizagem
Ø Relação
com as famílias
Ø Recursos
Ø Diretrizes
pedagógicas
Ø Plano
de ação
O
PPP é diferente do planejamento pedagógico, pois é composto por um conjunto de
princípios norteadores, composto pelas seguintes diretrizes, esquematizadas no mapa
conceitual abaixo:
Por
fim, o Projeto Político Pedagógico, orientado pela legislação educacional
vigente, surge após o diagnóstico da realidade administrativo-pedagógica,
social, estrutural e educacional da escola. O diagnóstico é surge da parceria
da escola com a comunidade após este procedimento é possível traçar os
objetivos, propor metas, planejar as ações no
intuito de alcançar o sucesso do aprendizado do aluno.
Gestão democrática e
gestão participativa
A
revindicação por uma educação de qualidade é constantemente reclamada pelos
pais e por toda a sociedade, para isso é necessário o envolvimento e esforço
coletivo dos responsáveis pela ação educativa. Quando se fala em responsáveis
pela educação, ultrapassa-se a ideia do papel desenvolvido pelos professores,
direção, mas é necessário pensar na integração da família e da comunidade em
torno da escola, surgindo assim o conceito de ensino democrático.
O
que define uma escola de qualidade? A infraestrutura do prédio? São os
computadores no laboratório de informática? As salas bem estruturadas com os
mais modernos equipamentos desenvolvidos para este ambiente com o quadro
digital, por exemplo? Ou o bom resulta dos números em um determinado teste de
pro eficiência? Todos estes pontos podem ajudar ou atribuir o conceito de
qualidade a educação, porém outros aspectos são tão relevantes e poucos
notados. Assim:
Muitos poucos se preocupam e se ocupam
do mais importante que é como se ensina; o que e como se aprende; o que, como e
para que se avalia. O afeto, o interesse, o amor pela leitura, o gosto de
aprender e a ausência de medo são ingredientes indispensáveis para uma educação
de qualidade em qualquer idade. (TORRES, 2015)
Também,
aliada aos pontos levantados está à superação da ideia errônea de que o espaço
educacional resume-se apenas ao ambiente da escola e os professores serem os
únicos responsáveis pela transmissão do conhecimento. A superação desta ideia
visa valorizar a integração de todos os setores da sociedade, principalmente da
escola–família–comunidade. Nas últimas décadas há um esforço da escola para
melhorar a relação com as famílias e a comunidade.
Tal
esforço veio acompanhado com nova forma de gerir a escola e superação dos
paradigmas de centralidade, pois o diretor não é mais visto como o soberano
responsável por tomar as decisões. Assim, surgiram dois conceitos para definir
as formas de administrar a escola segundo as necessidades exigidas atualmente:
a gestão democrática.
Desenvolver
uma gestão democrática presumi-se a valorização da participação dos estudantes,
pais, professores e funcionários em todas as dimensões da organização escolar “Esta
participação incide diretamente nas mais diferentes etapas da gestão escolar
(planejamento, implementação e avaliação) seja no que diz respeito à construção
do projeto e processos pedagógicos quanto às questões de natureza burocrática”
(INTEGRAL, 2015).
Neste
sentido o gestor que pressupõe um gestor que valorize ações como: ouvir a
aceitar sugestão, coordenar e estruturar com a equipe pedagógica as decisões
tomadas e investir no bom relacionamento com as diferentes pessoas.
Por
fim, no contexto de globalização a administração escolar se tornou alvo de
debates, exigindo do gestor um novo olhar sobre suas práticas, tornado-as
democrática e valorizando a participação
de todos nas “questões políticas, pedagógicas e administrativas da educação,
para um propósito de que ele consiga contribuir da melhor maneira para a
elaboração e execução de propostas que contemplem a maioria” (CASTROS;
VASCONCELAS, p. 23, 2012).
REFERÊNCIAS
CASTROS, Leonardo Rodrigues de;
VASCONCELOS, Fábio. Gestão participativa e democrática como aposta de qualidade
na educação da escola pública. Revista Evidência. v. 8. n° 8. Araxá: 2012;
LUIZ;
Ana Maria de Carvalho, A Formações de Gestores Educacionais; Ed.
Esperança,Salvador 2006 disponível em: http://www.proged.ufba.br/biblioteca/formgest.pdf
Acesso
em: 2 Maio 2015
INFOESCOLAR;
Gestão Escolar. Disponível em: http://www.infoescola.com/educacao/gestao-escolar/. Acesso
em: 2 Maio 2015;
INTEGRAÇÃO,
Centro de Referencias em Educação. Gestão Democrática. Disponível em: http://educacaointegral.org.br/glossario/gestao-democratica/. Acesso em: 24 de mai. 2015;
BASTOS, Maria Clotilde &
MARTELLI, Lindolfo Anderson. Fundamentos da Gestão em Educação: Gestão e
planejamento do projeto pedagógico-curricular. Caderno de Atividades. Valinhos:
Anhanguera Educacional, 2014.
BRASIL;
Mistério da Educação; Escola de Gestores da Educação Básica
Disponível
em:http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12337&Itemid=693.
Acesso em: 2 Maio 2015
BRASIL.
Escola de Gestores da Educação Básica – Apresentação. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12337&Itemid=695.
Acesso em 02 de mai. de 2015;
______.
Projeto do Curso de Especialização em Coordenação Pedagógica. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13515&Itemid=944.
Acesso em: 03 de mai. 2015;
______.
Projeto do Curso de Especialização em Gestão Escolar (Lato Sensu). Disponível
em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=13515&Itemid=944.
Acesso em 03 de mai. 2015;
TORRES,
Rosa Maria. O que é educação de qualidade?. Disponível em: http://portal.aprendiz.uol.com.br/2014/06/18/o-que-e-educacao-de-qualidade/.
Acesso em: 24 de mai. 2015.
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