A realidade de exclusão
dos atingidos pela surdez
A surdez pode
ser vista de diferentes aspectos como médico, cultural e social enquanto uma
pode vê-la como uma doença outra a vê como uma deficiência, dentre outras
definições. Desde a idade antiga até hoje muita coisa mudou, deu-se um grande
passo e hoje, tomando o Brasil como referencia, foi criada a Língua Brasileira
de Sinais, mas ainda há a necessidade de avançar alguns passos com relação à
cultura surda, por exemplo, muitas famílias temem expor seus filhos a
sociedade.
A Faculdade de
Medicina da USP, no site criado pela disciplina de otorrinolaringologia, define
a surdez dizendo que existem basicamente dois tipos de surdez: a surdez de
condução e a surdez neurosensorial. A
primeira "é a menos comum, afeta o ouvido externo ou médio e acontece quando
as ondas sonoras não são bem conduzidas para o ouvido interno", já a
segunda "é aquela que ocorre quando a cóclea que é o órgão interno da
audição não consegue transformar a energia mecânica da vibração que o som
produz em energia elétrica para transmiti-la ao cérebro que irá entender o
som" (USP, 2012). Outra forma de
ver a surdez é do ponto de vista cultural onde "é partilhada entre indivíduos
surdos ou com perda auditiva", segundo o blog Causas e Consequências da
Surdez, sendo cultura a surdez é um conjunto de comportamentos de um grupo,
onde estão presentes valores, regras de comportamento, tradição e a própria
língua (CULTURAL, 2012).
Socialmente, se
tomarmos como referência a antiguidade estas pessoas - os surdos - não eram
considerados nem seres humanos, pois uma vez não escutando o ser humano era
incapaz de desenvolver o pensamento, pois o pensar é desenvolvido pela fala, já
na idade média na concepção da igreja católica os surdos não seriam salvos, por
não conseguirem falar os sacramentos, porém na idade moderna a história começa
a mudar, por exemplo, Pedro Ponce de Léon (1520-1584) se tornou o primeiro
professor de surdos, com o objetivo de ensina-los a falar. A partir deste marco
histórico, muitos estudiosos se destacaram nos estudos da área da surdez, como
Juan Pablo de Bonet (1579-1629), Jacob Rodrigues Pereire (1715-1780), Abade
L'epée (1712-1789) Samuel Heinicke (Alemanha, 1727-1790) criador da primeira
instituição para surdos em Leipzing, entre outros. Na Idade Contemporânea os estudos
na área da surdez se intensificaram e médicos, como Jean Marc Itard com métodos
agressivos que causavam dor, e Alexander Graham Bell, buscavam desenvolver técnicas
capazes de recuperar a audição.
No Brasil,
passos significativos foram dados a partir de 1855 com o advento da primeira
escola de surdos, instituída por D. Pedro II que trouxe da França o professor
Ernest Huet, "para ensinar as crianças da nobreza, também pobres sem
escolarização. hoje, esta escola do Rio de Janeiro, tornou-se o instituto
nacional de surdos (INES)" (SILVA, 2012). Outro marco importante foi à
criação da lei de 24 de abril de 2002 que dispões sobre a Língua Brasileira de
Sinais - Libras:
Art. 1° É reconhecida como meio legal de comunicação e
expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão
a ela associados.
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de
Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico
de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem em um
sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunicação
de pessoas surdas do Brasil.
A com a criação
desta lei é regulamentada a profissão do interprete/tradutor de Libras, porém
no Brasil para que este profissional possa exercer o cargo o mesmo precisa ser
atestado no exame PROLIBRAS, mas "pouco mais de três mil passaram no teste
do Ministério da Educação para uma população de mais de um milhão de
surdos" (SOARES, 2012), estes profissionais podem atuar em diversas áreas
como a educação, em órgãos públicos, propagandas políticas, eventos, programas
televisivos, entre outros. A formação deste profissional é complexa, pois abrange
segundo Soares (2012): "inclusão, letramento em português e LIBRAS,
aspectos metodológicos e carências de experiências anteriores”. Porém ainda há muito
que avançar na educação de surdos, pois as escolas ditas normais, ainda não
estão preparadas para recebê-los em diversos sentidos, como escola sem
interpretes, professores não qualificados.
A pessoa surda
ainda enfrenta muitas dificuldades no dia-a-dia, principalmente quando se fala
da educação, é clara a mudança social desde a antiguidade, porém o surdo
precisa conviver com a descriminação e o preconceito, levando estas pessoas a
se organizarem em tribos, para onde possam se sentir "normais". A
cultura surda “reflete os costumes
e as características das pessoas que desenvolveram através das habilidades
visuais, manuais, gestuais e corporais, a sua maneira de estar no mundo, a sua
maneira de se fazer no mundo, assim como qualquer outro tipo de cultura” (SURDA,
2012), assim é conhecida esta formação de grupal de surdos.
Finalizando,
para mudar realidade de exclusão que ainda é encontrada atualmente é necessário
começar pela própria família, pelos pais, pois são estes que muitas vezes
excluem seus filhos e impedindo-os de interagir com a sociedade, para que a
situação mude é necessário que a pessoa se reconheça como surdo e o seio
familiar contribui muito para esse reconhecimento.
Comentário do filme “O
Menino Selvagem”
O Filme O Menino Selvagem narra a
história de garoto que foi encontrado na Selva de Aveyron, totalmente nu e
bastante sujo, com mau cheiro, instinto de um animal selvagem, andando "de
quatro". Uma senhora ao aquele ser, chamou três caçadores e foram em busca
do mesmo, como nunca havia registro de tal natureza, o menino foi levado pelos
caçadores para a aldeia, deixando-o preso em um celeiro, sendo humilhado por
algumas pessoas, sendo era tratado como uma aberração, um monstro ou ser diabólico.
Por não esta acostumado no convívio social tentou fugir várias vezes por causa
do seu “instinto animal”. Por mais que fosse um menino, não falava e fazia
apenas alguns ruídos/granidos, deixando os aldeões intrigados, cheio de
admiração.
A fama do menino selvagem se repercutia, despertando a
curiosidade de um renomado doutor na época, solicitando que fosse levado até
Paris, com autorização do Ministro do Interior, para ser estudado no Instituto
Nacional dos Surdos-mudos. O Professor e Dr. Itard na tentativa de “descobrir”
o menino, logo chegou à conclusão que o rapazinho era surdo, provavelmente
teria sido abandonado pelos seus pais na selva, com um corte profundo na
garganta, no intuito de mata-lo. Outra pessoa renomada da época chamado Pinel,
responsável pelo sanatório de Bicêtre, vê-lo como uma aberração, um louco,
considerando-o um ser inferior a um animal, e Itard chegar a proferir “ai é que
está. os animais recebem cuidado, treino”. Como contradizia o modelo de
normalidade o menino era isolado da sociedade, isso começa a incomodar o médico
a ponto de pedir a guarda e tomar para si a responsabilidade de educa-lo.
Retirando-o do
Instituto e sendo colocado sobre os cuidado da Sra. Guérin, governanta de
Itard, o menino é cuidado, onde seus os cabelos são cortados, as unhas
aparadas, higienizado. Tudo era novo, ou seja, “tudo o que o rapaz fez desde
que chegou, fê-lo pela primeira vez”, descreve o doutor. Um dos principais
meios utilizados para conhecer é o nariz, ou seja, cheira tudo o que é novo. Um
dos primeiros passos para a educação foi ensina-lo a ficar ereto, em seguida
despertar a sensibilidade, e ensinar atos práticos do dia a dia, como levar a
colher a boca, vestir-se. Quando descobre algo novo fica assustado. Outro fator é acostuma-lo a rotina, fazendo
uso de uma ação prazerosa para o menino, ele era levado para passear sempre à
tarde às 16hs, onde o cidadão Lémeri o habituou a beber leite.
Um das formas de se comunicar era através da linguagem
gestual, por exemplo, quando estava com sede batia num jarro. Para desenvolver
a atenção o método utilizado era através do jogo dos copos, onde teria de
adivinhar debaixo de qual copo estava escondido o objeto, inicialmente
dirigidos à sua necessidade de comida e consecutivamente a noz foi substituída
pelo soldadinho de chumbo. Tinha uma sensibilidade, ou seja, apresentava alguma
resposta ao som “O” por isso foi batizado de Victor.
Na tentativa de oralizar a criança, método inicialmente
utilizado foi força-lo a pronunciar, a palavra correspondente àquilo que lhe
satisfazia, como a água e o leite, isto é associar a palavra ao objeto. Porém o
resultado inicial não foi satisfatório, pois a palavra “leite” foi pronunciada
como um sinal do prazer que sentiu. Em determinado momento o Doutor reconhece
que está andando muito rápido com seus métodos educativos, pois em apenas três
meses exige que Victor tenha várias habilidades e iniciou um processo de
identificar o grau de surdez do aprendiz. Com o auxilio de uma vela, em frente
do espelho, começou a demostrar a diferença na articulação da boca ao oralizar
uma letra, também utilizou o método de fazer o pupilo sentir as diferentes
vibrações das cordas vocais ao pronunciar uma letra, também com auxilio de um
tambor e um sino, tocava os objetos de modo aleatório para que fossem repetidos
pelo menino.
É observado que ele (o menino) “tem uma paixão pela
ordem”, assim é adotado outro método para desenvolver a memória, associação do
objeto a figura desenhada, de início os desenhos foram feitos em cima da mesa
para que os objetos fossem colocados nos lugares correspondentes, mas de
imediato não houve resposta, porém ao desenhar as figuras na parede com lugares
para dependurar o objeto, houve uma resposta positiva, assim os objetos eram
retirados da parede para que fossem colocados nas figuras que correspondesse,
em outra etapa começou a mudar os desenhos de lugar, e depois acima de cada
objeto é colocado o nome correspondente aos mesmos. Em determinado momento,
onde mais figuras foram introduzidas, o professor decide avançar na metodologia
aplicada: foram apagados os desenhos e o resultado esperado era que "o
menino olhasses a palavra como se continuasse a representar para ele o
objeto", tentativa sem sucesso, pois Victor apresentou uma reação de
exaustão, aonde se chega a seguinte conclusão” há uma grande distância entre
desenhar um objeto e soletrar". Isso
não desanima o pesquisador que se determina a procurar outros meios para que
sejam desenvolvidas as faculdades pendentes, "enquanto cada obstáculo
dominado o prepara para o seguinte".
Então como não houve sucesso esperado, outra técnica é
adotada, pois o procedimento anterior de apresentar as palavras já formadas não
funcionou o mestre manda fazer um alfabeto em letras de madeiras e rápido se
chegou a um resultado, onde o aprendiz desenvolveu o seguinte truque
"empilhar as letras sob a tábua por ordem inversa", mas ao embaralhar
as letras é apresentado um novo ataque de exaustivo, de fúria e o professor
demostra-se muito irritado. A governanta repreende Itard dizendo que obriga o
menino "a estudar de manhã à noite. transforma seus poucos prazeres em exercícios:
as refeições, os passeios, tudo" e continua "quer que ele recupere
tudo de uma vez, ele trabalha mais que uma criança normal". Nota-se que mesmo após ter passado este tempo
todo em fora da floresta ele não perde o prazer de entrar em contato com a
natureza, sua "mãe" por durante vários anos.
O doutor analisa que deveria ser afetuoso com o Victor,
pôs a plicava o mesmo método de punição utilizada por Beohave, punindo
severamente quando o objetivo exercício não era atingido. Ao se reunirem para
tomar leite são apresentadas ao menino às letras que compõe a palavra leite,
sendo estimulado organizar as letras de forma a compor a palavra, todos ficam
maravilhados, pois ele conseguiu organiza-las e antes de beber o leite
pronunciou a palavra.
O próximo passo adotado foi o desenvolvimento da
coordenação motora, aos poucos via desenvolvendo a escrita. Após este período
associação da palavra ao objeto já é possível, comprovada em um teste. Ao
acertar era recompensado, ao errar era punido. Sem devida certeza que o senso
de justiça tinha incutido no menino selvagem, ele é posto a prova, e demostrou
que já tinha adquirido a capacidade de distinguir o justo do injusto.
A inclusão em sala de
aula da pessoa com surdez
A educação é um direito que todos, mas quando se
refere à educação de pessoas com necessidades especiais, como a surdez,
integrá-los a sala de aula é um desafio, para reverter este quadro é criada a
Declaração de Salamanca (UNESCO). Algumas atividades podem ajudar na integração
deste dos surdos em sala.
Segundo a Declaração Mundial sobre a Educação para
Todos (UNESCO) artigo 1: "cada pessoa - criança, jovem e adulto - deve
estar em condições de aproveitar as oportunidades educativas voltadas para
satisfazer suas necessidades básicas de aprendizagem" não somente esta
declaração, mas tomando também como referencia a Constituição Federal do Brasil
de 1988, assegura a todos os cidadãos desta nacionalidade o direito a educação,
contudo entre o que é assegurado por lei e o que se vive no diariamente há um
abismo a ser vencido, ou seja, como garantir que pessoas com surdez, por
exemplo, podem ter acesso a este direito.
Neste contexto
surge a necessidade de discutir sobre a inclusão de crianças, jovens e adultos
com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino é
sobre isso que se refere à Declaração de Salamanca e destacamos o seguinte:
"aqueles com necessidades especiais devem ter acesso à escola regular, que
deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de
satisfazer a tais necessidades" (UNESCO, 2012).
Segundo artigo publicado no site da revista Nova
Escola a inclusão dos
alunos com deficiência auditiva é um divisor de opiniões: "Enquanto alguns
especialistas defendem a matrícula desses estudantes em escola exclusivamente
especializadas, outros firmam que esses alunos devem estar matriculados em
turmas de escolas regulares, junto dos ouvintes" (ESCOLA, 2012). Quando se
fala da inclusão em escolas regulares esbarra no seguinte desafio: muitos
professores que não estão preparados para trabalhar com aluno surdo. Assim
voltamos à divisão entre a lei e a realidade, porque a Lei n° 5626, de 22 de
dezembro de 2005, assegura aos alunos com deficiência auditiva o direito a uma
educação bilíngue nas classes regulares.
O interprete/tradutor de língua de sinal é uma das
primeiras alternativas para a integração, porém Felipe (2012) chama atenção
para o seguinte "como, o professor não dará aula para os surdos, eles
terão de ficar passivamente recebendo apenas informações de um interprete"
e continua "Isso é uma contradição já que no próprio Livro Inclusão - Guia
para educadores, afirma-se que 'todos os alunos, incluindo aqueles com
deficiência, precisam de interações professor-aluno e aluno-aluno que moldem
habilidades acadêmicas e sociais'” e para que esta interação aconteça tanto o
interprete quanto o professor precisam transmitir confiabilidade,
segundo Renata C. Peixoto a autora diz que trabalhar com insegurança,
desconfiança gera um incomodo muito grande. A mesma autora citada anteriormente
destaca outros fatores importantes nesta relação professor-interprete que é o respeito,
pois como diz o celebre filosofia "o direito de um termina quando inicia
do outro", a parceria, isto é, um dos sucessos da interpretação é
garantido quando o interprete tem acesso ao texto, lendo-o antes do inicio da
aula e por último destaca o envolvimento educacional onde o interprete
ao perceber certo descontentamento do surdo, assim como a dificuldade em
compreender o conteúdo repassa tal informação ao professor e o professor na
correção de exercícios e provas dar-se conta de que o aluno está respondendo
bem ou não aos conteúdos informa ao interprete o que está ocorrendo. "Essa
troca entre os dois facilitará o envolvimento e desenvolvimento educacional dos
alunos" (PEIXOTO, 2012).
Outro passo é o professor reconhecer as dificuldades
do aluno e criar condições para que tais dificuldades sejam superadas, isto é,
“deve-se propor que se realize num ambiente que possibilite o seu
desenvolvimento cognitivo, linguístico, emocional e social” (FENEIS, 2012),
algumas atividades que podem ser aliadas a fim de estimular integração é
estimular a prática do teatro, a pintura, recursos tecnológicos, como o painel
de legenda. Outro recurso pode ser a utilização do cinema mudo e uma dos
melhores produtores destes filmes é Charles Chaplin na década de 50.
Por fim, muitas
lutas forma e estão sendo travadas para que a pessoa com surdez possa ser
inclusa na sala de aula, e umas das grandes conquistas foi a Declaração de
Salamanca, mas um dos maiores desafio da educação de surdos é criar um ambiente
que integrador, escolhendo atividades a serem desenvolvidas de forma "prazerosa
para a criança de modo que a estimule a se envolver no trabalho" (PEIXOTO,
2012) onde o conhecimento possa ser construindo de forma espontânea e não
mecânica, onde os alunos seja os construtores do conhecimento.
O trabalhar em sala de aula voltado para pessoa com
surdez
Como foi visto anteriormente diversos passos já foram
dados para a integração da pessoa com surdez na sociedade, principalmente em
sala de aula, mas para que o objetivo educacional seja alcançado alguns
recursos podem ajudar, mas toca-se em outra situação: todas as salas possuem os
materiais para tais atividades seja desenvolvida de forma pedagógica? Porém
para que as atividades possam contribuir com a educação devem ser usados de
forma pedagógica.
Destaca-se de imediato do tradutor e o intérprete é um
profissional qualificado presente que domina o trabalho em diferente área e,
seu campo de trabalho e bastante amplo, pois se correspondem com pessoas com
necessidade de libras e também podem dominar o Inglês, o Espanhol, e a Línguas
de sinais Americana e fazer a interpretação para língua brasileira de sinais ou
vice-versa sua presença em sala de aula ou em outro ambiente educacional é
muito importante para que alunos surdo usuário de libras possa contribuir para
seu desenvolvimento e melhoria do surdo.
A escola é um ambiente onde mais vemos este
profissional, mas infelizmente eles ainda não são reconhecidos e poucos sabem
sobre esse profissional, ser um interprete educacional vai além do ato
interpretativo entre línguas, pois este profissional, referindo-se ao
interprete educacional que não é um professor, mas faz parte da educação dos
surdos sendo assim é um profissional que está construindo sua identidade. Campo
de atuação desta profissão pode ser em vários ambiente como em: eventos,
empresas privada, serviços públicos, hospitais e outros serviços de saúde,
judiciário, igrejas e outras mais.
O tradutor e o interprete de libras tem o
papel em sala de aula de servir como tradutor entre pessoas que compartilham
línguas e culturas diferentes como em qualquer contexto tradutório que
vivenciou ou vivenciará. Ele realiza uma atividade humana e que exige
dele estratégias mentais na arte de transferir o contexto, a mensagem de um
código linguístico para outro.
Seu
trabalho de interpretar não pode ser visto apenas, como um trabalho linguístico,
interpretar envolve conhecimento de mundo, que mobilizado pela cadeia
enunciativa, contribui para a compreensão do que foi dito e em como dizer na
língua alvo; saber perceber os sentidos (múltiplos) expressos nos discursos.
O
interprete, em situação frente a frente com o surdo, precisa dar conta de
formular todas as informações que estão sendo discutidas. Essa condição vai
marcar um momento de planejamento, ou seja, o modo como ele irá organizar todas
as informações com base nas suas competências para poder transmiti-las na
língua alvo.
O
responsável pela aquisição do conhecimento é sempre o professor, por ser ele o
conhecedor do assunto, já o interprete cabe a ele organizar seu planejamento,
elaborando estratégias linguísticas e referenciais também por meio dos
conhecimentos do professor. Ao planejar, o intérprete precisa ter o cuidado de
não se equivocar para não produzir um sentido diferente do original. Vale ainda
ressaltar que na arte varias mensagem são enviadas utilizando diferentes códigos:
a palavra escrita, a fotografia, os sinas. Mas também utilizamos outro tipo de
mensagens com arte visual, o teatro, musica, a dança, literatura que também nos
falam, representam algo e estão repletos de significados. A arte surda envolve
geralmente criações artísticas que mostram sua cultura, suas emoções e
sentimentos. As histórias e sua cultura também são mostradas.
Relatos de experiência em sala de aula
As
autoras Mouras e Scareli em seus textos trazem experiências vivenciada em seu
dia a dia no campo da educação. Moura
começa descrevendo sua experiência vivida como aluna posteriormente como
professora, Scareli descreve sua experiência vivida, a partir de algumas
experiências em sala de aula. Ambas como historia em comum, superara as
dificuldade encontradas na educação, no ato educativo como alunos desmotivados,
sem interesse em estudar e desenvolvendo técnicas capazes de abrir caminhos e
transformar a sala de aula. Foi a melhor
alternativa encontrada por elas.
Ana
Regina ressalta inicialmente suas dificuldades encontradas enquanto educanda,
mas que não a impediram de tomar a decisão de seguir a carreira docente, sua
motivação inicial era dar orgulho a sua mãe que “admirava as moças que se
tornavam professoras. Eram sempre pessoas de fino trato e educadas”, porem na
terceira série do primário como o prazo estipulado para a bolsa que ganhara no
melhor colégio da região estava encerrando, teve que ingressar na vida
religiosa, mesmo sem entender muito a decisão tomada em 1965, aos onze anos,
única forma encontra para continuar estudando. Já convento, por ser descendente
de italiano e austríaco foi levada para uma escola na Itália, pois neste país
as vocações estavam escassas e no Brasil ocorria o contrário. Ao continuar os
estudos na escola italiana, começou suas experiências como educadora em uma
sala de educação infantil, onde a formar de falar dos pequeninos a motivaram a
aprender o idioma local.
Outra
experiência de Regina foi lecionar em turmas de 6 e 7 serie para dar aula de
matemática, deparando-se com alunos que conversavam o tempo todo, assim como
aqueles que não tinham interesse pela matemática, considerar isso como parte do
fenômeno da matemática e chega a um diagnóstico "as possibilidades de
superação das dificuldades que encontrava eram poucas, pois não havia nessa
escola espaços planejados para discussões sobre o ensino" (MOURA,
2012). Para superar dificuldades
encontradas na sala de aula é necessário organizar a ação docente, discutir com
os colegas de profissão as dificuldades encontradas em sala de aula e planejar
a aula com dedicação. Construir espaço de discussão entre os alunos foi uma
solução encontra para despertar nos alunos o interessem pela matéria em
questão, onde juntos constroem o conhecimento exigido. A partir deste novo processo
de ensino-aprendizagem conclui-se "o ensino é a prática da teoria"
É
incontestável o uso do filme como um recurso didático, este pode contribuir
muito dentro da sala de aula, principalmente quando nos deparamos com uma turma
composta por um misto de seres humano, pessoas cada um com suas diferenças, com
suas potencialidades, com suas dificuldades, enfim usar meios para que o
conteúdo seja fixado é de grande valia. Mas não basta apenas usar avulsamente
qualquer coisa, mas tentar usa-los de forma pedagógica, capaz de levar a
discussão.
Experiência
desta natureza Giovana Scareli relata em uma sala de aula, com uma turma de
alunos de pedagogia. A proposta de Scareli em trabalhar com a produção de
memórias e criar um debate sobre os filmes assistidos e os textos sugeridos
para reflexão. Porém encontrou dificuldade de alcançar os objetivos que foram
estipulados: criar/estimular debates partindo do ponto do futuro pedagogo,
refletindo sobre o curso que está fazendo, auto refletindo suas potencialidades
para se chegar ao objetivo maior, ser professor. Os recursos tecnológicos são
uma grande aliados em sala, por despertarem a curiosidade, emoções (ao menos se
espera), com enredos ligados diretamente com o assunto em questão. Na educação
de surdo, por exemplo, o filme surte grande resultado, pois nestas pessoas o
gosto pela imagem é ainda maior.
Contudo,
ao utilizar determinados recursos, o professor além de estar preparado pra os
resultados tanto satisfatório quanto os insatisfatório, pois a discussão pode
tender e tomar rumos não previstos para o momento. Por exemplo, no primeiro
texto apresentado por Giovana não foi atingido o resulto reflexivo esperado,
como a professora cita "é muito difícil falar sobre algo que não estamos
acostumados". Este mesmo resultado foi obtido após assistirem o filme O
Sorriso de Monalisa analisado a partir da leitura do texto "A ante
estrutura da resistência", a qual chegou à conclusão que estarei
dogmatizando os conceitos apresentados no filme sem criar a possibilidade de
contesta-lo, contrariando o objetivo da utilização do recurso audiovisual.
Por
fim, uma há um aspecto comum às duas discentes o aprendizado obtido em sala de
aula, reconhecendo momentos de suas vidas, como fala Scareli “o contato com esta
turma, com os filmes, com os textos, também me provocaram, me desafiaram, e
pude aprender um pouquinho mais, principalmente sobre quem eu sou e o que é ser
professora”. Este foi o mesmo caminho percorrido por Regina Moura ao se deparar
com um grande desafio, apresentar a matemática de forma atraente aos alunos,
levando-a a rever conceitos e criar novos. Assim conclui-se, ser educador exige
a capacidade de auto avalição, revisão dos atos diários e mudar aqueles que não
ajudam a construir nos educandos a capacidade de crescimento de forma plena.
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