sexta-feira, 16 de novembro de 2012

LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS

A realidade de exclusão dos atingidos pela surdez
A surdez pode ser vista de diferentes aspectos como médico, cultural e social enquanto uma pode vê-la como uma doença outra a vê como uma deficiência, dentre outras definições. Desde a idade antiga até hoje muita coisa mudou, deu-se um grande passo e hoje, tomando o Brasil como referencia, foi criada a Língua Brasileira de Sinais, mas ainda há a necessidade de avançar alguns passos com relação à cultura surda, por exemplo, muitas famílias temem expor seus filhos a sociedade.
A Faculdade de Medicina da USP, no site criado pela disciplina de otorrinolaringologia, define a surdez dizendo que existem basicamente dois tipos de surdez: a surdez de condução e a surdez neurosensorial.  A primeira "é a menos comum, afeta o ouvido externo ou médio e acontece quando as ondas sonoras não são bem conduzidas para o ouvido interno", já a segunda "é aquela que ocorre quando a cóclea que é o órgão interno da audição não consegue transformar a energia mecânica da vibração que o som produz em energia elétrica para transmiti-la ao cérebro que irá entender o som" (USP, 2012).  Outra forma de ver a surdez é do ponto de vista cultural onde "é partilhada entre indivíduos surdos ou com perda auditiva", segundo o blog Causas e Consequências da Surdez, sendo cultura a surdez é um conjunto de comportamentos de um grupo, onde estão presentes valores, regras de comportamento, tradição e a própria língua (CULTURAL, 2012).
Socialmente, se tomarmos como referência a antiguidade estas pessoas - os surdos - não eram considerados nem seres humanos, pois uma vez não escutando o ser humano era incapaz de desenvolver o pensamento, pois o pensar é desenvolvido pela fala, já na idade média na concepção da igreja católica os surdos não seriam salvos, por não conseguirem falar os sacramentos, porém na idade moderna a história começa a mudar, por exemplo, Pedro Ponce de Léon (1520-1584) se tornou o primeiro professor de surdos, com o objetivo de ensina-los a falar. A partir deste marco histórico, muitos estudiosos se destacaram nos estudos da área da surdez, como Juan Pablo de Bonet (1579-1629), Jacob Rodrigues Pereire (1715-1780), Abade L'epée (1712-1789) Samuel Heinicke (Alemanha, 1727-1790) criador da primeira instituição para surdos em Leipzing, entre outros. Na Idade Contemporânea os estudos na área da surdez se intensificaram e médicos, como Jean Marc Itard com métodos agressivos que causavam dor, e Alexander Graham Bell, buscavam desenvolver técnicas capazes de recuperar a audição.
No Brasil, passos significativos foram dados a partir de 1855 com o advento da primeira escola de surdos, instituída por D. Pedro II que trouxe da França o professor Ernest Huet, "para ensinar as crianças da nobreza, também pobres sem escolarização. hoje, esta escola do Rio de Janeiro, tornou-se o instituto nacional de surdos (INES)" (SILVA, 2012). Outro marco importante foi à criação da lei de 24 de abril de 2002 que dispões sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras:
Art. 1° É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem em um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunicação de pessoas surdas do Brasil.

A com a criação desta lei é regulamentada a profissão do interprete/tradutor de Libras, porém no Brasil para que este profissional possa exercer o cargo o mesmo precisa ser atestado no exame PROLIBRAS, mas "pouco mais de três mil passaram no teste do Ministério da Educação para uma população de mais de um milhão de surdos" (SOARES, 2012), estes profissionais podem atuar em diversas áreas como a educação, em órgãos públicos, propagandas políticas, eventos, programas televisivos, entre outros. A formação deste profissional é complexa, pois abrange segundo Soares (2012): "inclusão, letramento em português e LIBRAS, aspectos metodológicos e carências de experiências anteriores”. Porém ainda há muito que avançar na educação de surdos, pois as escolas ditas normais, ainda não estão preparadas para recebê-los em diversos sentidos, como escola sem interpretes, professores não qualificados.
A pessoa surda ainda enfrenta muitas dificuldades no dia-a-dia, principalmente quando se fala da educação, é clara a mudança social desde a antiguidade, porém o surdo precisa conviver com a descriminação e o preconceito, levando estas pessoas a se organizarem em tribos, para onde possam se sentir "normais". A cultura surda “reflete os costumes e as características das pessoas que desenvolveram através das habilidades visuais, manuais, gestuais e corporais, a sua maneira de estar no mundo, a sua maneira de se fazer no mundo, assim como qualquer outro tipo de cultura” (SURDA, 2012), assim é conhecida esta formação de grupal de surdos.

Finalizando, para mudar realidade de exclusão que ainda é encontrada atualmente é necessário começar pela própria família, pelos pais, pois são estes que muitas vezes excluem seus filhos e impedindo-os de interagir com a sociedade, para que a situação mude é necessário que a pessoa se reconheça como surdo e o seio familiar contribui muito para esse reconhecimento.

Comentário do filme “O Menino Selvagem”
O Filme O Menino Selvagem narra a história de garoto que foi encontrado na Selva de Aveyron, totalmente nu e bastante sujo, com mau cheiro, instinto de um animal selvagem, andando "de quatro". Uma senhora ao aquele ser, chamou três caçadores e foram em busca do mesmo, como nunca havia registro de tal natureza, o menino foi levado pelos caçadores para a aldeia, deixando-o preso em um celeiro, sendo humilhado por algumas pessoas, sendo era tratado como uma aberração, um monstro ou ser diabólico. Por não esta acostumado no convívio social tentou fugir várias vezes por causa do seu “instinto animal”. Por mais que fosse um menino, não falava e fazia apenas alguns ruídos/granidos, deixando os aldeões intrigados, cheio de admiração.
A fama do menino selvagem se repercutia, despertando a curiosidade de um renomado doutor na época, solicitando que fosse levado até Paris, com autorização do Ministro do Interior, para ser estudado no Instituto Nacional dos Surdos-mudos. O Professor e Dr. Itard na tentativa de “descobrir” o menino, logo chegou à conclusão que o rapazinho era surdo, provavelmente teria sido abandonado pelos seus pais na selva, com um corte profundo na garganta, no intuito de mata-lo. Outra pessoa renomada da época chamado Pinel, responsável pelo sanatório de Bicêtre, vê-lo como uma aberração, um louco, considerando-o um ser inferior a um animal, e Itard chegar a proferir “ai é que está. os animais recebem cuidado, treino”. Como contradizia o modelo de normalidade o menino era isolado da sociedade, isso começa a incomodar o médico a ponto de pedir a guarda e tomar para si a responsabilidade de educa-lo.
 Retirando-o do Instituto e sendo colocado sobre os cuidado da Sra. Guérin, governanta de Itard, o menino é cuidado, onde seus os cabelos são cortados, as unhas aparadas, higienizado. Tudo era novo, ou seja, “tudo o que o rapaz fez desde que chegou, fê-lo pela primeira vez”, descreve o doutor. Um dos principais meios utilizados para conhecer é o nariz, ou seja, cheira tudo o que é novo. Um dos primeiros passos para a educação foi ensina-lo a ficar ereto, em seguida despertar a sensibilidade, e ensinar atos práticos do dia a dia, como levar a colher a boca, vestir-se. Quando descobre algo novo fica assustado.  Outro fator é acostuma-lo a rotina, fazendo uso de uma ação prazerosa para o menino, ele era levado para passear sempre à tarde às 16hs, onde o cidadão Lémeri o habituou a beber leite.
Um das formas de se comunicar era através da linguagem gestual, por exemplo, quando estava com sede batia num jarro. Para desenvolver a atenção o método utilizado era através do jogo dos copos, onde teria de adivinhar debaixo de qual copo estava escondido o objeto, inicialmente dirigidos à sua necessidade de comida e consecutivamente a noz foi substituída pelo soldadinho de chumbo. Tinha uma sensibilidade, ou seja, apresentava alguma resposta ao som “O” por isso foi batizado de Victor.
Na tentativa de oralizar a criança, método inicialmente utilizado foi força-lo a pronunciar, a palavra correspondente àquilo que lhe satisfazia, como a água e o leite, isto é associar a palavra ao objeto. Porém o resultado inicial não foi satisfatório, pois a palavra “leite” foi pronunciada como um sinal do prazer que sentiu. Em determinado momento o Doutor reconhece que está andando muito rápido com seus métodos educativos, pois em apenas três meses exige que Victor tenha várias habilidades e iniciou um processo de identificar o grau de surdez do aprendiz. Com o auxilio de uma vela, em frente do espelho, começou a demostrar a diferença na articulação da boca ao oralizar uma letra, também utilizou o método de fazer o pupilo sentir as diferentes vibrações das cordas vocais ao pronunciar uma letra, também com auxilio de um tambor e um sino, tocava os objetos de modo aleatório para que fossem repetidos pelo menino.
É observado que ele (o menino) “tem uma paixão pela ordem”, assim é adotado outro método para desenvolver a memória, associação do objeto a figura desenhada, de início os desenhos foram feitos em cima da mesa para que os objetos fossem colocados nos lugares correspondentes, mas de imediato não houve resposta, porém ao desenhar as figuras na parede com lugares para dependurar o objeto, houve uma resposta positiva, assim os objetos eram retirados da parede para que fossem colocados nas figuras que correspondesse, em outra etapa começou a mudar os desenhos de lugar, e depois acima de cada objeto é colocado o nome correspondente aos mesmos. Em determinado momento, onde mais figuras foram introduzidas, o professor decide avançar na metodologia aplicada: foram apagados os desenhos e o resultado esperado era que "o menino olhasses a palavra como se continuasse a representar para ele o objeto", tentativa sem sucesso, pois Victor apresentou uma reação de exaustão, aonde se chega a seguinte conclusão” há uma grande distância entre desenhar um objeto e soletrar".  Isso não desanima o pesquisador que se determina a procurar outros meios para que sejam desenvolvidas as faculdades pendentes, "enquanto cada obstáculo dominado o prepara para o seguinte".
Então como não houve sucesso esperado, outra técnica é adotada, pois o procedimento anterior de apresentar as palavras já formadas não funcionou o mestre manda fazer um alfabeto em letras de madeiras e rápido se chegou a um resultado, onde o aprendiz desenvolveu o seguinte truque "empilhar as letras sob a tábua por ordem inversa", mas ao embaralhar as letras é apresentado um novo ataque de exaustivo, de fúria e o professor demostra-se muito irritado. A governanta repreende Itard dizendo que obriga o menino "a estudar de manhã à noite. transforma seus poucos prazeres em exercícios: as refeições, os passeios, tudo" e continua "quer que ele recupere tudo de uma vez, ele trabalha mais que uma criança normal".  Nota-se que mesmo após ter passado este tempo todo em fora da floresta ele não perde o prazer de entrar em contato com a natureza, sua "mãe" por durante vários anos.
O doutor analisa que deveria ser afetuoso com o Victor, pôs a plicava o mesmo método de punição utilizada por Beohave, punindo severamente quando o objetivo exercício não era atingido. Ao se reunirem para tomar leite são apresentadas ao menino às letras que compõe a palavra leite, sendo estimulado organizar as letras de forma a compor a palavra, todos ficam maravilhados, pois ele conseguiu organiza-las e antes de beber o leite pronunciou a palavra.
O próximo passo adotado foi o desenvolvimento da coordenação motora, aos poucos via desenvolvendo a escrita. Após este período associação da palavra ao objeto já é possível, comprovada em um teste. Ao acertar era recompensado, ao errar era punido. Sem devida certeza que o senso de justiça tinha incutido no menino selvagem, ele é posto a prova, e demostrou que já tinha adquirido a capacidade de distinguir o justo do injusto.

A inclusão em sala de aula da pessoa com surdez
A educação é um direito que todos, mas quando se refere à educação de pessoas com necessidades especiais, como a surdez, integrá-los a sala de aula é um desafio, para reverter este quadro é criada a Declaração de Salamanca (UNESCO). Algumas atividades podem ajudar na integração deste dos surdos em sala.
Segundo a Declaração Mundial sobre a Educação para Todos (UNESCO) artigo 1: "cada pessoa - criança, jovem e adulto - deve estar em condições de aproveitar as oportunidades educativas voltadas para satisfazer suas necessidades básicas de aprendizagem" não somente esta declaração, mas tomando também como referencia a Constituição Federal do Brasil de 1988, assegura a todos os cidadãos desta nacionalidade o direito a educação, contudo entre o que é assegurado por lei e o que se vive no diariamente há um abismo a ser vencido, ou seja, como garantir que pessoas com surdez, por exemplo, podem ter acesso a este direito.
 Neste contexto surge a necessidade de discutir sobre a inclusão de crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino é sobre isso que se refere à Declaração de Salamanca e destacamos o seguinte: "aqueles com necessidades especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades" (UNESCO, 2012).
Segundo artigo publicado no site da revista Nova Escola a inclusão                 dos alunos com deficiência auditiva é um divisor de opiniões:                             "Enquanto alguns especialistas defendem a matrícula desses estudantes em escola exclusivamente especializadas, outros firmam que esses alunos devem estar matriculados em turmas de escolas regulares, junto dos ouvintes" (ESCOLA, 2012). Quando se fala da inclusão em escolas regulares esbarra no seguinte desafio: muitos professores que não estão preparados para trabalhar com aluno surdo. Assim voltamos à divisão entre a lei e a realidade, porque a Lei n° 5626, de 22 de dezembro de 2005, assegura aos alunos com deficiência auditiva o direito a uma educação bilíngue nas classes regulares.
O interprete/tradutor de língua de sinal é uma das primeiras alternativas para a integração, porém Felipe (2012) chama atenção para o seguinte "como, o professor não dará aula para os surdos, eles terão de ficar passivamente recebendo apenas informações de um interprete" e continua "Isso é uma contradição já que no próprio Livro Inclusão - Guia para educadores, afirma-se que 'todos os alunos, incluindo aqueles com deficiência, precisam de interações professor-aluno e aluno-aluno que moldem habilidades acadêmicas e sociais'” e para que esta interação aconteça tanto o interprete quanto o professor precisam transmitir confiabilidade, segundo Renata C. Peixoto a autora diz que trabalhar com insegurança, desconfiança gera um incomodo muito grande. A mesma autora citada anteriormente destaca outros fatores importantes nesta relação professor-interprete que é o respeito, pois como diz o celebre filosofia "o direito de um termina quando inicia do outro", a parceria, isto é, um dos sucessos da interpretação é garantido quando o interprete tem acesso ao texto, lendo-o antes do inicio da aula e por último destaca o envolvimento educacional onde o interprete ao perceber certo descontentamento do surdo, assim como a dificuldade em compreender o conteúdo repassa tal informação ao professor e o professor na correção de exercícios e provas dar-se conta de que o aluno está respondendo bem ou não aos conteúdos informa ao interprete o que está ocorrendo. "Essa troca entre os dois facilitará o envolvimento e desenvolvimento educacional dos alunos" (PEIXOTO, 2012).
Outro passo é o professor reconhecer as dificuldades do aluno e criar condições para que tais dificuldades sejam superadas, isto é, “deve-se propor que se realize num ambiente que possibilite o seu desenvolvimento cognitivo, linguístico, emocional e social” (FENEIS, 2012), algumas atividades que podem ser aliadas a fim de estimular integração é estimular a prática do teatro, a pintura, recursos tecnológicos, como o painel de legenda. Outro recurso pode ser a utilização do cinema mudo e uma dos melhores produtores destes filmes é Charles Chaplin na década de 50.
Por fim, muitas lutas forma e estão sendo travadas para que a pessoa com surdez possa ser inclusa na sala de aula, e umas das grandes conquistas foi a Declaração de Salamanca, mas um dos maiores desafio da educação de surdos é criar um ambiente que integrador, escolhendo atividades a serem desenvolvidas de forma "prazerosa para a criança de modo que a estimule a se envolver no trabalho" (PEIXOTO, 2012) onde o conhecimento possa ser construindo de forma espontânea e não mecânica, onde os alunos seja os construtores do conhecimento.

O trabalhar em sala de aula voltado para pessoa com surdez
Como foi visto anteriormente diversos passos já foram dados para a integração da pessoa com surdez na sociedade, principalmente em sala de aula, mas para que o objetivo educacional seja alcançado alguns recursos podem ajudar, mas toca-se em outra situação: todas as salas possuem os materiais para tais atividades seja desenvolvida de forma pedagógica? Porém para que as atividades possam contribuir com a educação devem ser usados de forma pedagógica.
Destaca-se de imediato do tradutor e o intérprete é um profissional qualificado presente que domina o trabalho em diferente área e, seu campo de trabalho e bastante amplo, pois se correspondem com pessoas com necessidade de libras e também podem dominar o Inglês, o Espanhol, e a Línguas de sinais Americana e fazer a interpretação para língua brasileira de sinais ou vice-versa sua presença em sala de aula ou em outro ambiente educacional é muito importante para que alunos surdo usuário de libras possa contribuir para seu desenvolvimento e melhoria do surdo.
A escola é um ambiente onde mais vemos este profissional, mas infelizmente eles ainda não são reconhecidos e poucos sabem sobre esse profissional, ser um interprete educacional vai além do ato interpretativo entre línguas, pois este profissional, referindo-se ao interprete educacional que não é um professor, mas faz parte da educação dos surdos sendo assim é um profissional que está construindo sua identidade. Campo de atuação desta profissão pode ser em vários ambiente como em: eventos, empresas privada, serviços públicos, hospitais e outros serviços de saúde, judiciário, igrejas e outras mais. 
O tradutor e o interprete de libras tem o papel em sala de aula de servir como tradutor entre pessoas que compartilham línguas e culturas diferentes como em qualquer contexto tradutório que vivenciou ou vivenciará.  Ele realiza uma atividade humana e que exige dele estratégias mentais na arte de transferir o contexto, a mensagem de um código linguístico para outro.
Seu trabalho de interpretar não pode ser visto apenas, como um trabalho linguístico, interpretar envolve conhecimento de mundo, que mobilizado pela cadeia enunciativa, contribui para a compreensão do que foi dito e em como dizer na língua alvo; saber perceber os sentidos (múltiplos) expressos nos discursos.
O interprete, em situação frente a frente com o surdo, precisa dar conta de formular todas as informações que estão sendo discutidas. Essa condição vai marcar um momento de planejamento, ou seja, o modo como ele irá organizar todas as informações com base nas suas competências para poder transmiti-las na língua alvo.
 O responsável pela aquisição do conhecimento é sempre o professor, por ser ele o conhecedor do assunto, já o interprete cabe a ele organizar seu planejamento, elaborando estratégias linguísticas e referenciais também por meio dos conhecimentos do professor. Ao planejar, o intérprete precisa ter o cuidado de não se equivocar para não produzir um sentido diferente do original. Vale ainda ressaltar que na arte varias mensagem são enviadas utilizando diferentes códigos: a palavra escrita, a fotografia, os sinas. Mas também utilizamos outro tipo de mensagens com arte visual, o teatro, musica, a dança, literatura que também nos falam, representam algo e estão repletos de significados. A arte surda envolve geralmente criações artísticas que mostram sua cultura, suas emoções e sentimentos. As histórias e sua cultura também são mostradas.

Relatos de experiência em sala de aula
As autoras Mouras e Scareli em seus textos trazem experiências vivenciada em seu dia a dia no campo da educação.  Moura começa descrevendo sua experiência vivida como aluna posteriormente como professora, Scareli descreve sua experiência vivida, a partir de algumas experiências em sala de aula. Ambas como historia em comum, superara as dificuldade encontradas na educação, no ato educativo como alunos desmotivados, sem interesse em estudar e desenvolvendo técnicas capazes de abrir caminhos e transformar a sala de aula.  Foi a melhor alternativa encontrada por elas.
Ana Regina ressalta inicialmente suas dificuldades encontradas enquanto educanda, mas que não a impediram de tomar a decisão de seguir a carreira docente, sua motivação inicial era dar orgulho a sua mãe que “admirava as moças que se tornavam professoras. Eram sempre pessoas de fino trato e educadas”, porem na terceira série do primário como o prazo estipulado para a bolsa que ganhara no melhor colégio da região estava encerrando, teve que ingressar na vida religiosa, mesmo sem entender muito a decisão tomada em 1965, aos onze anos, única forma encontra para continuar estudando. Já convento, por ser descendente de italiano e austríaco foi levada para uma escola na Itália, pois neste país as vocações estavam escassas e no Brasil ocorria o contrário. Ao continuar os estudos na escola italiana, começou suas experiências como educadora em uma sala de educação infantil, onde a formar de falar dos pequeninos a motivaram a aprender o idioma local.
Outra experiência de Regina foi lecionar em turmas de 6 e 7 serie para dar aula de matemática, deparando-se com alunos que conversavam o tempo todo, assim como aqueles que não tinham interesse pela matemática, considerar isso como parte do fenômeno da matemática e chega a um diagnóstico "as possibilidades de superação das dificuldades que encontrava eram poucas, pois não havia nessa escola espaços planejados para discussões sobre o ensino" (MOURA, 2012).  Para superar dificuldades encontradas na sala de aula é necessário organizar a ação docente, discutir com os colegas de profissão as dificuldades encontradas em sala de aula e planejar a aula com dedicação. Construir espaço de discussão entre os alunos foi uma solução encontra para despertar nos alunos o interessem pela matéria em questão, onde juntos constroem o conhecimento exigido. A partir deste novo processo de ensino-aprendizagem conclui-se "o ensino é a prática da teoria"
É incontestável o uso do filme como um recurso didático, este pode contribuir muito dentro da sala de aula, principalmente quando nos deparamos com uma turma composta por um misto de seres humano, pessoas cada um com suas diferenças, com suas potencialidades, com suas dificuldades, enfim usar meios para que o conteúdo seja fixado é de grande valia. Mas não basta apenas usar avulsamente qualquer coisa, mas tentar usa-los de forma pedagógica, capaz de levar a discussão.
Experiência desta natureza Giovana Scareli relata em uma sala de aula, com uma turma de alunos de pedagogia. A proposta de Scareli em trabalhar com a produção de memórias e criar um debate sobre os filmes assistidos e os textos sugeridos para reflexão. Porém encontrou dificuldade de alcançar os objetivos que foram estipulados: criar/estimular debates partindo do ponto do futuro pedagogo, refletindo sobre o curso que está fazendo, auto refletindo suas potencialidades para se chegar ao objetivo maior, ser professor. Os recursos tecnológicos são uma grande aliados em sala, por despertarem a curiosidade, emoções (ao menos se espera), com enredos ligados diretamente com o assunto em questão. Na educação de surdo, por exemplo, o filme surte grande resultado, pois nestas pessoas o gosto pela imagem é ainda maior.
Contudo, ao utilizar determinados recursos, o professor além de estar preparado pra os resultados tanto satisfatório quanto os insatisfatório, pois a discussão pode tender e tomar rumos não previstos para o momento. Por exemplo, no primeiro texto apresentado por Giovana não foi atingido o resulto reflexivo esperado, como a professora cita "é muito difícil falar sobre algo que não estamos acostumados". Este mesmo resultado foi obtido após assistirem o filme O Sorriso de Monalisa analisado a partir da leitura do texto "A ante estrutura da resistência", a qual chegou à conclusão que estarei dogmatizando os conceitos apresentados no filme sem criar a possibilidade de contesta-lo, contrariando o objetivo da utilização do recurso audiovisual.
Por fim, uma há um aspecto comum às duas discentes o aprendizado obtido em sala de aula, reconhecendo momentos de suas vidas, como fala Scareli                           “o contato com esta turma, com os filmes, com os textos, também me provocaram, me desafiaram, e pude aprender um pouquinho mais, principalmente sobre quem eu sou e o que é ser professora”. Este foi o mesmo caminho percorrido por Regina Moura ao se deparar com um grande desafio, apresentar a matemática de forma atraente aos alunos, levando-a a rever conceitos e criar novos. Assim conclui-se, ser educador exige a capacidade de auto avalição, revisão dos atos diários e mudar aqueles que não ajudam a construir nos educandos a capacidade de crescimento de forma plena.


REFERÊNCIAS

CULTURAL, Surdez: causas, consequências: Ponto de Vista. Disponível em:  http://causaseconsequenciasdasurdez.blogspot.com/2009/06/ponto-de-vista-cultural.html. Acesso em: 3 de novembro de 2021;

ESCOLA, Revista Nova. Programas e materiais que ajudam na inclusão de surdos. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/inclusão/educação-especial/programas-materiais-inclusão-deficientes-auditivos-613076.shtml. Acesso em 11de novembro de 2012;

FELIPE, Tania A. Educação: Educação para Surdos, para todos. Disponível em:  http://www.feneis.org.br/page/textoeduca%C3%A7%C3%A3o.asp. Acesso em 11/11/2012;

FNEIS. POLÍTICA EDUCACIONAL PARA SURDOS DO RIO GRANDE DO SUL. Disponível em: http://www.cultura-sorda.eu/resources/FENEIS_politica_educacional_para_surdos.pdf. Acesso em 11 de novembro de 2012;

MOURA, Anna Regina Lanner. Memorial: fazendo-me professora. In: Caderno Cedes. Campinas, SP: Editora da Unicamp. p. 24-47, ed. jul. 1998. Disponível em: http://memorialformativo.blogspot.com.br/2007/09/memorial_6707.html. Acesso em: 15 de nov. 2012;
O MENINO Selvagem. França, 1970. Realizador: François Truffaut; Interpretação: François Truffaut, Jean-Pierre Cargol, Françoise Seigner.
PEIXOTO, Renata Castelo, Em Sala. Disponível em: http://avozdosurdo.com.br/PROFESSOREMSALA.htm. Acesso em: 08 de novembro de 2012;

UNESCO, DECLARAÇÃO mundial sobre a educação para todos. Disponível: http://unesdoc.unesco.org/images/000862/086291por.pdf. Acesso em 11/11/2012;

UNESCO, DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf. Acesso em: 11/11/2012;

SCARELI, Giovana. A Produção de Memoriais no Curso de Pedagogia – Relato de Experiência. In: Intellectus – Revista Acadêmica Digital das Faculdades Unopec. Sumaré, SP: Unopec. Ano 02, nº 04, jan./jul. 2005. ISSN 1679 - 8902. Disponível em: https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=explorer&chrome=true&srcid=0B_iQRJW-KpWlN2Q0OGExMmQtYWM0Yy00NWI4LWIzYzktZGQ3ZGY4NTc2MDlk&hl=pt_BR.

SOARES, Paulo Henrique. Disponível em: http://paulohenriquelibras.blogspot.com.br/2011/12/profissão-de-interprete-de-ls-cresce-no.html. Acesso em 3 de novembro de 2012;

SURDA, A Cultura. Publicado em 11 de março de 2011. Disponível em: http://pt.shvoong.com/society-and-news/culture/2131534-cultura-surda/.  Acesso em 09 de novembro de 2012;

USP, Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da. Surdez. Disponível em: www.surdez.org.br/surdez.asp. Acesso em 3 de novembro de 2012. 

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