A importância da Educação de Jovens e Adultos na
sociedade atual
Ao falarmos em
Educação de Jovens e Adultos (EJA) é imprescindível não citarmos alguns marcos
ou fatos históricos nesta etapa da educação básica, assim como um dos grandes
pensadores nesta área, Paulo Freire, o qual ajudou a sistematizar uma concepção
de educação na EJA. Atualmente a educação de adultos adquiriu uma outra
roupagem, por isso educadores que atuam nesta área pedem mudanças,
principalmente para mudar o quadro de evasão.
Os primeiros
passos da educação formal no Brasil foram dados pelos Jesuítas, Tendo como
diretrizes educacionais a Ratio Studiorum,
o objetivo principal de oferecer algum tipo de educação aos índios era
“domestica-los” para o trabalho, e acreditavam que não seria possível converter
os índios sem que eles soubessem ler e escrever. Contudo, a expulsão dos
jesuítas desorganizou o ensino até então estabelecido.
Após este
período houve poucas iniciativas para oferecer educação a adultos, mas volta a
ganhar território a partir da década de 30, uma vez que o sistema educacional
começa a se firmar, mediante as grandes transformações que a sociedade passava,
como a expansão no processo de industrialização, e novamente a educação de
adultos retoma uma característica principal do sistema colonial: prepara mão de
obra, desta vez para atuar nas nos processos industriais.
Um marco
importante para a educação é dar-se-á por intermédio da constituição de 1934 estabelece
a necessidade o Plano Nacional de Educação (PNE), e é no Artigo 150 que aparece
“a primeira referência ao PNE, mas sem estar acompanhado de levantamento ou
estudo sobre as necessidades educacionais do país” (BRASIL, 2014), mas o foi em
1962 que ocorreu a elaboração do primeiro PNE, sendo aprovado em 1934.
Assim foram
surgindo pensadores que buscavam criar uma sistematizar uma concepção de
educação na EJA, e Paulo Freire se destaca. Segundo Souza (2011, p.23):
“Ele
organizou as experiências que geraram as bases da educação dialógica da
educação, a qual, na modalidade da EJA, teria a investigação dos temas
geradores com fonte da prática educativa, como um dos componentes do processo
de conscientização, emancipação e libertação.”
Atualmente o
atendente o público de variada e inicia com jovens de 15 anos que necessitam
trabalhar para manter-se ou ajudar nas despesas familiares, por isso tem como
objetivo a inclusão social, proporcionando ao educando a entrada e a
qualificação no mercado de trabalho, propiciando o desenvolvimento de sua
autonomia intelectual, superando a educação conhecida como bancária e a
superação da desigualdade social.
Abordando a EJA
como superação da desigualdade social Fonseca (2014, p. 4) diz que “pode-se
concluir que ela possibilita não somente a retomada do estudo, mas, sobretudo,
o desenvolvimento das potencialidades de jovens e adultos que, por razões
variadas, não puderam concluí-lo na faixa etária prevista”.
Todavia, é
necessário também considerar os desafios da EJA, sobre este assunto a
professora Pierro, especialista em Educação de Jovens e Adultos, fala a Revista
Nova Escola da necessidade de pensar num modelo de escola mais flexível,
conectado com a vida e investir na formação acadêmica docente, uma vez que o
papel do professor é despertar no estudante um olhar mais sensível sobre todos
os aspectos do dia a dia.
Os conteúdos da Proposta Pedagógica para Educação de
Jovens e Adultos e os seus objetivos
A EJA (Educação
de Jovens e Adultos) destina-se aos jovens e adultos que não puderam iniciar ou
concluir os estudos na idade própria no ensino fundamental e no ensino médio.
Nesta modalidade da educação básica o educando é considerado sujeito da
aprendizagem, por isso é necessário utilizar a linguagem significativa,
significativa do ponto de vista da língua, significativa para o contexto social
do educando para que os conteúdos sejam assimilados com facilidade.
Os conteúdos
estão divididos em três áreas Língua Portuguesa, Matemática e Estudos da
Sociedade e da Natureza, conforme a proposta curricular, tendo respectivamente
os seguintes objetivos, subdividos em blocos de conteúdos. Abaixo estão alguns exemplos
de conteúdos e suas organizações, segundo a Proposta Pedagógica para Educação
de Jovens e Adultos:
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Disciplina
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Bloco de conteúdos
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Tópicos de conteúdos
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Objetivos
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Língua portuguesa
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Linguagem Oral
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Ortografia
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Perceber que uma mesma letra pode
representar sons diferentes, dependendo de sua posição na palavra
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Acentuação
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Conhecer os sinais de acentuação e as
marcas sonoras que representam.
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Leitura e escrita de texto
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Listas
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Produzir listas em forma de coluna ou
separando os itens com vírgulas ou hífens
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Receitas e instruções
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Escrever receitas, utilizando sua
estrutura textual.
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Pontuação
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Pontuação de texto
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Observar os sinais de pontuação nos
textos.
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Análise lingüística
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Frase
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Utilizar a noção de frase (enunciação
com sentido completo) para orientara pontuação na escrita de textos.
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Disciplina
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Bloco de conteúdos
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Tópicos de conteúdos
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Objetivos
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Estudos da Sociedade e da Natureza
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O educando e o lugar de vivência
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O centro educativo
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Reconhecer o valor pessoal e social
da educação e os principais direitos constitucionais a ela relacionados.
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Espaço de vivência
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Observar e descrever formas de
ocupação social do espaço, analisando seu aproveitamento ou degradação.
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O corpo humano e suas necessidades
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A espécie humana
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Reconhecer-se como ser vivo e,
portanto, parte da natureza.
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O corpo humano
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Identificar o esquema corporal
(cabeça, tronco e membros) relacionando as funções que cada região desempenha
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O homem e o meio ambiente
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Ecossistemas e ciclos naturais
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Distinguir seres vivos e ambiente
físico, com base na existência ou não do ciclo vital (nascer, crescer,
reproduzir e morrer).
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Espaços rurais e urbanos
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Observar diferenças entre os espaços
rural e urbano, relacionando-os às atividades econômicas características do
campo e da cidade.
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As atividades produtivas e as
relações sociais
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Trabalho, tecnologia e emprego
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Classificar as atividades econômicas
em ramos (extrativismo, mineração, agricultura, pecuária, indústria,
comércio, serviços).
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Relações de trabalho na História do
Brasil
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Distinguir, através de exemplos,
relações sociais de trabalho baseadas no parentesco, na escravidão e no
assalariamento.
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Cidadania e participação
|
O Estado brasileiro
|
Observar o mapa político do Brasil e
do estado, neles localizando as capitais estaduais e federal (Brasília).
|
|
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Direitos civis, políticos e sociais
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Identificar direitos e deveres
pessoais e coletivos no âmbito dos locais de moradia e trabalho, na escola,
nos organismos políticos, associações etc.
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Organização e participação da
sociedade
|
Relacionar a conquista e manutenção
de direitos de cidadania com a capacidade de organização e ação coletiva da
população.
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Disciplina
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Bloco de conteúdos
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Tópicos de conteúdos
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Objetivos
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Matemática
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Números e operações numéricas
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Números naturais e
sistema decimal de numeração |
Reconhecer números no contexto
diário.
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Números racionais: representação decimal
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Reconhecer números racionais na forma
decimal no contexto diário.
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Medidas
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Conceito
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Reconhecer a utilidade dos números
decimais para representar quantidades relacionadas às medidas.
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Sistema monetário brasileiro
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Estabelecer relações entre os valores
monetários de cédulas e moedas em situações-problema do cotidiano.
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Geometria
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Formas bi e tridimensionais, figuras
planas e sólidos geométricos
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Identificar as características das
formas geométricas que estão presentes em elementos naturais e nos objetos
criados pelo homem.
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Espaço, dimensão, posição, direção,
sentido
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Localizar-se no espaço com base em
pontos de referência e algumas indicações de posição
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Introdução à Estatística
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Coleta, sistematização e análise de dados
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Analisar fenômenos sociais e naturais
a partir de dados quantitativos
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Tabelas e gráficos
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Reconhecer, descrever, ler e
interpretar informações apresentadas em tabelas simples, tabelas de dupla
entrada, gráficos de barra, gráficos de linha, gráficos de setor.
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A Educação de Jovens e Adultos e a cidadania
O trabalho da educação de jovens e adultos é muito
prazeroso e enriquecedor, pois, é um campo, também, repleto de esperanças. As
relações falam de cidadania são de fundamental importância na educação de
jovens e adultos, assim, o texto em questão concluiu que analisar as concepções
de cidadania de professores que gostam e trabalham com educação de jovens e
adultos (EJA). O desenvolvimento dos alunos sobre analfabetos mudou
consideravelmente, como a pesquisa demonstra tais índices. Os resultados
apontam que um grande número de professores tem bons conceitos de cidadania,
porém, que alguns deles, principalmente os que trabalham nas periferias da
cidade e no interior do município possuem concepções diferentes de cidadania
considerando-se que trabalham com populações mais excluídas.
Em diferentes ambientes, é que se constituem o
cotidiano, como: família, trabalho, igreja, grupo de amigos e até em escola aí
nasce uma verdadeira cidadania. E dentre
as muitas formas de exclusão social, o analfabetismo se constitui em uma das
maiores reuniões, pois o analfabeto é simplesmente excluído do seu meio social.
Anula os sujeitos, impedindo-os de se constituírem cidadãos ativos na medida em
que dificulta o entendimento e a interpretação da realidade complexa que os
cerca.
Apesar de sua experiência de vida no dia a dia da
cultura que possuem, o analfabetismo é algo que impede o acesso a várias
tarefas da sociedade, que dificulta o posicionamento enquanto indivíduo e
enquanto cidadão, a pessoa na condição de analfabeta sente-se insegura e
envergonhada num mundo que cada vez exige mais conhecimento e participação para
que a pessoa seja reconhecida como cidadão. Assim, decidiu-se pela abordagem
metodológica de cunho qualitativo, sendo que a pesquisa A EJA trouxe para essas
pessoas uma nova esperança, pois muitos não puderam estudar quando novos e uma
chance também para se mostrar na sociedade enquanto cidadão.
Alfabetizar
significativa que a população do município e região pode desenvolver programas
de capacitação para o trabalho de acordo com os anseios e necessidades;
Desenvolver projetos voltados à cultura política e a cidadania no âmbito civil,
político, social e ambiental, sensibilizando-a e mobilizando-a em torno das
causas sociais postas. Educação não-Formal se dá principalmente em lugares
educativos não escolares, ou escolares, mas, não-formais. Levando em conta os
objetivos da Educação Não-Fomal.
Educação e sociedade são interligadas, sendo que a
educação adquire papéis e funções bem diferenciadas. Nesse sentido é válido
pensar que as questões referentes à construção da cidadania e a EJA, pois, os
alunos de EJA são pessoas que, por algum motivo, lhes foi negado à
possibilidade de escolaridade na idade prevista na legislação. Perguntando
sobre o que entendem por cidadania, as respostas apontam diversos conceitos.
A mudança de condições do analfabeto, para o domínio
da leitura, nos faz pensar que “ninguém é autônomo primeiro para depois
decidir. A autonomia vai se constituindo na experiência de várias e inúmeras
decisões que vão sendo tomadas” (FREIRE, 1996, p.121). Por isso, a capacidade
de decisão depende só de cada um, com responsabilidade, a possibilidade de
construir a sua própria história, quem até, a história da humanidade, assumindo
assim seu papel de cidadão.
O próprio professor aprende a ser um cidadão, pois
entende que aprender nunca é o suficiente, que tem sempre o que mostrar para
seus alunos, essa é uma posição de humildade frente aos alunos da
EJA.
A contribuição da pedagogia de Paulo Freire para EJA
A
pedagogia de Paulo Freire parte da premissa que uma formação crítica que deve
conduzir ao desenvolvimento de cidadãos, sejam capazes de analisarem suas
realidades social, histórica e cultural, em criar possibilidades de
transformação de alunos e professores a uma maior autonomia e emancipação.
Freire
fala dessa transformação que não poderia ficar no campo das ilusões ou
abstrações, mas numa visão vygotskiana referente ao sujeito modificando o seu
meio social, ao mesmo tempo em que é mudado por ele.
Podemos
falar de um educador transformador crítico insere a escolarização diretamente
na esfera política e vice-versa? Dessa forma, ele concebe os alunos como
agentes críticos, o conhecimento se torna problemático, o dialogo crítico e
afirmativo e os argumentos a favor de um mundo melhor para todos, e que atenda
aos anseios e necessidades das camadas populares.
Assim,
podemos avaliar as ações de linguagem suscitada dos seus discursos não se
baseiam apenas nos conteúdos programáticos, mas emergem um processo reflexivo,
ou seja, isso quer dizer que a linguagem servirá como instrumento para o
professor refletir sobre as praticas educativas desenvolvidas, como objetivos
de suas ações em sala de aula.
Contudo
nessa perspectiva, os professores e alunos percebem-se como agentes
transformadores e passam a se considerar atuantes no processo de transformação
e concebem a importância, a coragem e a vontade de mudar suas realidades.
A EJA e a EP, contribuem
com os movimentos populares para a extensão da educação para todos,
explicitando os principais ideais pedagógicos freireanos tais como: a noção de
ensinar a partir de palavras e temas geradores, a educação como ato de
conhecimento e de transformação social, a politicidade da educação, a
preocupação com a liberdade, com o diálogo e o dialógico e a importância do
respeito à identidade cultural dos alunos.
O que é androgogia
Andragogia diz respeito ao ensino de
adultos, sendo a arte e a ciência destinada a auxiliar os adultos a aprender e
a compreender o processo de aprendizagem de adultos. A Andragogia busca
compreender o adulto considerando os aspectos psicológicos, biológicos sociais.
A andragogia difere da pedagogia se
comparada aos modelos pedagógicos conservadores. No entanto, alguns
pressupostos da andragogia são semelhantes aos de modelos pedagógicos
transformadores.
A educação de
adultos embasada em um modelo andragógico tem como princípios:
·
A necessidade dos adultos em saber a finalidade, o “porque” de certos
conteúdos e aprendizagens;
·
A facilidade dos adultos em aprender pela experiência;
·
A percepção dos adultos sobre a aprendizagem como resolução de
problemas;
·
A motivação para aprender é maior se for interna (necessidade
individual), e se o conteúdo a ser aprendido ser de aplicação imediata;
·
Os adultos trazem uma bagagem de experiências que podem contribuir para
sua própria aprendizagem.
No modelo de educação andragógico, os
alunos participam das diversas fases do processo de ensino-aprendizagem, tais
como: diagnóstico das necessidades educativas; elaboração de plano e
estabelecimento de objetivos a partir do diagnóstico; e formas de avaliação. A
metodologia é voltada para a participação ativa dos alunos, e a organização
curricular é flexível, visando atender as especificidades de cada adulto.
O professor é considerado um
facilitador, e como tal, sua relação com os alunos é horizontal, tendo como
principal característica o diálogo, o respeito, a colaboração e a confiança. O
clima propício para a aprendizagem, segundo o modelo andragógico, tem como
características o conforto, a informalidade e o respeito, garantindo assim, que
o aluno se sinta seguro e confiante.
A andragogia, enquanto modelo para a
educação de adultos, é caracterizada pela participação dos alunos, pela
flexibilidade e pelo foco no processo, ao invés da ênfase no conteúdo.
A seguir será apresentado um plano de
aula destinado à primeira etapa, da EJA:
|
Plano de Aula
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Tema:
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As
letras do meu nome
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Área de Conhecimento
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Língua
Portuguesa
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Justificativa
|
A principal metodologia da EJA é trabalhar com
problemas do dia a dia, por isso, um dos primeiros desejos do aluno é assinar
seu nome, assim trabalha-se inicialmente o domínio do sistema alfabético, ou
seja, a compreensão do mecanismo básico da escrita e posteriormente ajudará
na compreensão de que a palavra/texto não é uma simples justaposição de
palavras, mas um todo organizado de acordo com a intenção comunicativa.
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Objetivos
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Geral:
Relacionar a leitura e a escrita com seus significados.
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Específico:
Conhecer o alfabeto aleatoriamente; Reconhecer, ler e escrever o alfabeto;
Desenvolver a criatividade.
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Habilidades e Competências
|
Serão distribuídos para os alunos cartões juntamente
com o alfabeto móvel. Cada aluno utiliza o próprio crachá e o crachá dos
demais alunos para pesquisar as letras. Feito isso, os alunos deverão
escrever em cada um dos seus cartões as letras pesquisadas. Em seguida será
solicitado aos alunos que comparem as letras que encontrarem, buscando
evidenciar aquelas que compõem o próprio nome, formando novas palavras.
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Situação Didática ou Conteúdo
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Leitura e escrita, alfabeto móvel.
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Materiais ou Recursos Utilizados
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Cartões, crachás com os nomes dos alunos, lápis
alfabeto móvel folha de papel, sulfite, pincel.
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Reflexões Finais
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Segundo a Proposta curricular da EJA, ler e
escrever textos são os principais objetivos da Língua Portuguesa, por isso a
leitura e a escrita é o principal bloco de conteúdo área, sendo que os demais
servem como suporte e convergem para ele. Trabalhar com a composição do nome
é propiciar e criar a oportunidade para o que o aluno entre em contato com
diferentes tipos de textos e compreendam suas características.
|
REFERÊNCIAS
BRASIL, Câmera dos Deputados.
Comissão de Educação. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/ce/plano-nacional-de-educacao/historico.
Acesso em 16 de Ago. 2014;
BRASIL. Proposta Pedagógica para Educação
de Jovens e Adultos. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/eja/propostacurricular/primeiros
egmento/propostacurricular.pdf. Acesso
em 20 de Ago. 2014;
FONSECA, Mirella Villa de Araújo
Tucunduva da. Educação de Jovens e Adultos: Desilgualdades e escolaridade:
porque a EJA é necessária?. Caderno de Atividades. Anhanguera Publicações:
Valinhos, 2014;
FREIRE, Paulo. Pedagogia da
Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra;
PIERRO, Maria Clara di. EJA em
segundo plano. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/modalidades/eja-plano-618045.shtml.
Acesso em: 20 de Ago. 2014;
SOUZA, Maria A. de. Educação de
Jovens e Adultos. 2. ed. Curitiba: IBPEX, 2011. PLT 561.
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