quarta-feira, 17 de setembro de 2014

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

A importância da Educação de Jovens e Adultos na sociedade atual
Ao falarmos em Educação de Jovens e Adultos (EJA) é imprescindível não citarmos alguns marcos ou fatos históricos nesta etapa da educação básica, assim como um dos grandes pensadores nesta área, Paulo Freire, o qual ajudou a sistematizar uma concepção de educação na EJA. Atualmente a educação de adultos adquiriu uma outra roupagem, por isso educadores que atuam nesta área pedem mudanças, principalmente para mudar o quadro de evasão.
Os primeiros passos da educação formal no Brasil foram dados pelos Jesuítas, Tendo como diretrizes educacionais a Ratio Studiorum, o objetivo principal de oferecer algum tipo de educação aos índios era “domestica-los” para o trabalho, e acreditavam que não seria possível converter os índios sem que eles soubessem ler e escrever. Contudo, a expulsão dos jesuítas desorganizou o ensino até então estabelecido.
Após este período houve poucas iniciativas para oferecer educação a adultos, mas volta a ganhar território a partir da década de 30, uma vez que o sistema educacional começa a se firmar, mediante as grandes transformações que a sociedade passava, como a expansão no processo de industrialização, e novamente a educação de adultos retoma uma característica principal do sistema colonial: prepara mão de obra, desta vez para atuar nas nos processos industriais.
Um marco importante para a educação é dar-se-á por intermédio da constituição de 1934 estabelece a necessidade o Plano Nacional de Educação (PNE), e é no Artigo 150 que aparece “a primeira referência ao PNE, mas sem estar acompanhado de levantamento ou estudo sobre as necessidades educacionais do país” (BRASIL, 2014), mas o foi em 1962 que ocorreu a elaboração do primeiro PNE, sendo aprovado em 1934.           
Assim foram surgindo pensadores que buscavam criar uma sistematizar uma concepção de educação na EJA, e Paulo Freire se destaca. Segundo Souza (2011, p.23):
“Ele organizou as experiências que geraram as bases da educação dialógica da educação, a qual, na modalidade da EJA, teria a investigação dos temas geradores com fonte da prática educativa, como um dos componentes do processo de conscientização, emancipação e libertação.”

Atualmente o atendente o público de variada e inicia com jovens de 15 anos que necessitam trabalhar para manter-se ou ajudar nas despesas familiares, por isso tem como objetivo a inclusão social, proporcionando ao educando a entrada e a qualificação no mercado de trabalho, propiciando o desenvolvimento de sua autonomia intelectual, superando a educação conhecida como bancária e a superação da desigualdade social.
Abordando a EJA como superação da desigualdade social Fonseca (2014, p. 4) diz que “pode-se concluir que ela possibilita não somente a retomada do estudo, mas, sobretudo, o desenvolvimento das potencialidades de jovens e adultos que, por razões variadas, não puderam concluí-lo na faixa etária prevista”.

Todavia, é necessário também considerar os desafios da EJA, sobre este assunto a professora Pierro, especialista em Educação de Jovens e Adultos, fala a Revista Nova Escola da necessidade de pensar num modelo de escola mais flexível, conectado com a vida e investir na formação acadêmica docente, uma vez que o papel do professor é despertar no estudante um olhar mais sensível sobre todos os aspectos do dia a dia.

Os conteúdos da Proposta Pedagógica para Educação de Jovens e Adultos e os seus objetivos
A EJA (Educação de Jovens e Adultos) destina-se aos jovens e adultos que não puderam iniciar ou concluir os estudos na idade própria no ensino fundamental e no ensino médio. Nesta modalidade da educação básica o educando é considerado sujeito da aprendizagem, por isso é necessário utilizar a linguagem significativa, significativa do ponto de vista da língua, significativa para o contexto social do educando para que os conteúdos sejam assimilados com facilidade.
Os conteúdos estão divididos em três áreas Língua Portuguesa, Matemática e Estudos da Sociedade e da Natureza, conforme a proposta curricular, tendo respectivamente os seguintes objetivos, subdividos em blocos de conteúdos. Abaixo estão alguns exemplos de conteúdos e suas organizações, segundo a Proposta Pedagógica para Educação de Jovens e Adultos:

Disciplina
Bloco de conteúdos
Tópicos de conteúdos
Objetivos
Língua portuguesa
Linguagem Oral
Ortografia
Perceber que uma mesma letra pode representar sons diferentes, dependendo de sua posição na palavra
Acentuação
Conhecer os sinais de acentuação e as marcas sonoras que representam.
Leitura e escrita de texto
Listas
Produzir listas em forma de coluna ou separando os itens com vírgulas ou hífens
Receitas e instruções
Escrever receitas, utilizando sua estrutura textual.
Pontuação
Pontuação de texto
Observar os sinais de pontuação nos textos.
Análise lingüística
Frase
Utilizar a noção de frase (enunciação com sentido completo) para orientara pontuação na escrita de textos.




Disciplina
Bloco de conteúdos
Tópicos de conteúdos
Objetivos
Estudos da Sociedade e da Natureza
O educando e o lugar de vivência
O centro educativo
Reconhecer o valor pessoal e social da educação e os principais direitos constitucionais a ela relacionados.
Espaço de vivência
Observar e descrever formas de ocupação social do espaço, analisando seu aproveitamento ou degradação.
O corpo humano e suas necessidades
A espécie humana
Reconhecer-se como ser vivo e, portanto, parte da natureza.
O corpo humano
Identificar o esquema corporal (cabeça, tronco e membros) relacionando as funções que cada região desempenha
O homem e o meio ambiente
Ecossistemas e ciclos naturais
Distinguir seres vivos e ambiente físico, com base na existência ou não do ciclo vital (nascer, crescer, reproduzir e morrer).
Espaços rurais e urbanos
Observar diferenças entre os espaços rural e urbano, relacionando-os às atividades econômicas características do campo e da cidade.
As atividades produtivas e as relações sociais

Trabalho, tecnologia e emprego
Classificar as atividades econômicas em ramos (extrativismo, mineração, agricultura, pecuária, indústria, comércio, serviços).
Relações de trabalho na História do Brasil
Distinguir, através de exemplos, relações sociais de trabalho baseadas no parentesco, na escravidão e no assalariamento.
Cidadania e participação
O Estado brasileiro
Observar o mapa político do Brasil e do estado, neles localizando as capitais estaduais e federal (Brasília).
Direitos civis, políticos e sociais
Identificar direitos e deveres pessoais e coletivos no âmbito dos locais de moradia e trabalho, na escola, nos organismos políticos, associações etc.
Organização e participação da sociedade
Relacionar a conquista e manutenção de direitos de cidadania com a capacidade de organização e ação coletiva da população.


Disciplina
Bloco de conteúdos
Tópicos de conteúdos
Objetivos
Matemática
Números e operações numéricas
Números naturais e
sistema decimal de numeração
Reconhecer números no contexto diário.
Números racionais: representação decimal
Reconhecer números racionais na forma decimal no contexto diário.
Medidas
Conceito
Reconhecer a utilidade dos números decimais para representar quantidades relacionadas às medidas.
Sistema monetário brasileiro
Estabelecer relações entre os valores monetários de cédulas e moedas em situações-problema do cotidiano.
Geometria
Formas bi e tridimensionais, figuras planas e sólidos geométricos
Identificar as características das formas geométricas que estão presentes em elementos naturais e nos objetos criados pelo homem.
Espaço, dimensão, posição, direção, sentido
Localizar-se no espaço com base em pontos de referência e algumas indicações de posição
Introdução à Estatística
Coleta, sistematização e análise de dados
Analisar fenômenos sociais e naturais a partir de dados quantitativos
Tabelas e gráficos
Reconhecer, descrever, ler e interpretar informações apresentadas em tabelas simples, tabelas de dupla entrada, gráficos de barra, gráficos de linha, gráficos de setor.


A Educação de Jovens e Adultos e a cidadania
O trabalho da educação de jovens e adultos é muito prazeroso e enriquecedor, pois, é um campo, também, repleto de esperanças. As relações falam de cidadania são de fundamental importância na educação de jovens e adultos, assim, o texto em questão concluiu que analisar as concepções de cidadania de professores que gostam e trabalham com educação de jovens e adultos (EJA). O desenvolvimento dos alunos sobre analfabetos mudou consideravelmente, como a pesquisa demonstra tais índices. Os resultados apontam que um grande número de professores tem bons conceitos de cidadania, porém, que alguns deles, principalmente os que trabalham nas periferias da cidade e no interior do município possuem concepções diferentes de cidadania considerando-se que trabalham com populações mais excluídas.  
Em diferentes ambientes, é que se constituem o cotidiano, como: família, trabalho, igreja, grupo de amigos e até em escola aí nasce uma verdadeira cidadania.  E dentre as muitas formas de exclusão social, o analfabetismo se constitui em uma das maiores reuniões, pois o analfabeto é simplesmente excluído do seu meio social. Anula os sujeitos, impedindo-os de se constituírem cidadãos ativos na medida em que dificulta o entendimento e a interpretação da realidade complexa que os cerca.
Apesar de sua experiência de vida no dia a dia da cultura que possuem, o analfabetismo é algo que impede o acesso a várias tarefas da sociedade, que dificulta o posicionamento enquanto indivíduo e enquanto cidadão, a pessoa na condição de analfabeta sente-se insegura e envergonhada num mundo que cada vez exige mais conhecimento e participação para que a pessoa seja reconhecida como cidadão. Assim, decidiu-se pela abordagem metodológica de cunho qualitativo, sendo que a pesquisa A EJA trouxe para essas pessoas uma nova esperança, pois muitos não puderam estudar quando novos e uma chance também para se mostrar na sociedade enquanto cidadão.
 Alfabetizar significativa que a população do município e região pode desenvolver programas de capacitação para o trabalho de acordo com os anseios e necessidades; Desenvolver projetos voltados à cultura política e a cidadania no âmbito civil, político, social e ambiental, sensibilizando-a e mobilizando-a em torno das causas sociais postas. Educação não-Formal se dá principalmente em lugares educativos não escolares, ou escolares, mas, não-formais. Levando em conta os objetivos da Educação Não-Fomal.
Educação e sociedade são interligadas, sendo que a educação adquire papéis e funções bem diferenciadas. Nesse sentido é válido pensar que as questões referentes à construção da cidadania e a EJA, pois, os alunos de EJA são pessoas que, por algum motivo, lhes foi negado à possibilidade de escolaridade na idade prevista na legislação. Perguntando sobre o que entendem por cidadania, as respostas apontam diversos conceitos.
A mudança de condições do analfabeto, para o domínio da leitura, nos faz pensar que “ninguém é autônomo primeiro para depois decidir. A autonomia vai se constituindo na experiência de várias e inúmeras decisões que vão sendo tomadas” (FREIRE, 1996, p.121). Por isso, a capacidade de decisão depende só de cada um, com responsabilidade, a possibilidade de construir a sua própria história, quem até, a história da humanidade, assumindo assim seu papel de cidadão.
O próprio professor aprende a ser um cidadão, pois entende que aprender nunca é o suficiente, que tem sempre o que mostrar para seus alunos, essa é uma posição de humildade frente aos alunos da EJA.

A contribuição da pedagogia de Paulo Freire para EJA
A pedagogia de Paulo Freire parte da premissa que uma formação crítica que deve conduzir ao desenvolvimento de cidadãos, sejam capazes de analisarem suas realidades social, histórica e cultural, em criar possibilidades de transformação de alunos e professores a uma maior autonomia e emancipação.
Freire fala dessa transformação que não poderia ficar no campo das ilusões ou abstrações, mas numa visão vygotskiana referente ao sujeito modificando o seu meio social, ao mesmo tempo em que é mudado por ele.
Podemos falar de um educador transformador crítico insere a escolarização diretamente na esfera política e vice-versa? Dessa forma, ele concebe os alunos como agentes críticos, o conhecimento se torna problemático, o dialogo crítico e afirmativo e os argumentos a favor de um mundo melhor para todos, e que atenda aos anseios e necessidades das camadas populares.
Assim, podemos avaliar as ações de linguagem suscitada dos seus discursos não se baseiam apenas nos conteúdos programáticos, mas emergem um processo reflexivo, ou seja, isso quer dizer que a linguagem servirá como instrumento para o professor refletir sobre as praticas educativas desenvolvidas, como objetivos de suas ações em sala de aula.
Contudo nessa perspectiva, os professores e alunos percebem-se como agentes transformadores e passam a se considerar atuantes no processo de transformação e concebem a importância, a coragem e a vontade de mudar suas realidades.
A EJA e a EP, contribuem com os movimentos populares para a extensão da educação para todos, explicitando os principais ideais pedagógicos freireanos tais como: a noção de ensinar a partir de palavras e temas geradores, a educação como ato de conhecimento e de transformação social, a politicidade da educação, a preocupação com a liberdade, com o diálogo e o dialógico e a importância do respeito à identidade cultural dos alunos.

O que é androgogia
Andragogia  diz respeito ao ensino de adultos, sendo a arte e a ciência destinada a auxiliar os adultos a aprender e a compreender o processo de aprendizagem de adultos. A Andragogia busca compreender o adulto considerando os aspectos psicológicos, biológicos  sociais.
A andragogia difere da pedagogia se comparada aos modelos pedagógicos conservadores. No entanto, alguns pressupostos da andragogia são semelhantes aos de modelos pedagógicos transformadores.
educação de adultos embasada em um modelo andragógico tem como princípios:
·        A necessidade dos adultos em saber a finalidade, o “porque” de certos conteúdos e aprendizagens;
·        A facilidade dos adultos em aprender pela experiência;
·        A percepção dos adultos sobre a aprendizagem como resolução de problemas;
·        A motivação para aprender é maior se for interna (necessidade individual), e se o conteúdo a ser aprendido ser de aplicação imediata;
·        Os adultos trazem uma bagagem de experiências que podem contribuir para sua própria aprendizagem.
No modelo de educação andragógico, os alunos participam das diversas fases do processo de ensino-aprendizagem, tais como: diagnóstico das necessidades educativas; elaboração de plano e estabelecimento de objetivos a partir do diagnóstico; e formas de avaliação. A metodologia é voltada para a participação ativa dos alunos, e a organização curricular é flexível, visando atender as especificidades de cada adulto.
O professor é considerado um facilitador, e como tal, sua relação com os alunos é horizontal, tendo como principal característica o diálogo, o respeito, a colaboração e a confiança. O clima propício para a aprendizagem, segundo o modelo andragógico, tem como características o conforto, a informalidade e o respeito, garantindo assim, que o aluno se sinta seguro e confiante.
A andragogia, enquanto modelo para a educação de adultos, é caracterizada pela participação dos alunos, pela flexibilidade e pelo foco no processo, ao invés da ênfase no conteúdo.
A seguir será apresentado um plano de aula destinado à primeira etapa, da EJA:
Plano de Aula
Tema:
As letras do meu nome
Área de Conhecimento
Língua Portuguesa
Justificativa
A principal metodologia da EJA é trabalhar com problemas do dia a dia, por isso, um dos primeiros desejos do aluno é assinar seu nome, assim trabalha-se inicialmente o domínio do sistema alfabético, ou seja, a compreensão do mecanismo básico da escrita e posteriormente ajudará na compreensão de que a palavra/texto não é uma simples justaposição de palavras, mas um todo organizado de acordo com a intenção comunicativa.
Objetivos
Geral: Relacionar a leitura e a escrita com seus significados.
Específico: Conhecer o alfabeto aleatoriamente; Reconhecer, ler e escrever o alfabeto; Desenvolver a criatividade.
Habilidades e Competências
Serão distribuídos para os alunos cartões juntamente com o alfabeto móvel. Cada aluno utiliza o próprio crachá e o crachá dos demais alunos para pesquisar as letras. Feito isso, os alunos deverão escrever em cada um dos seus cartões as letras pesquisadas. Em seguida será solicitado aos alunos que comparem as letras que encontrarem, buscando evidenciar aquelas que compõem o próprio nome, formando novas palavras.
Situação Didática ou Conteúdo
Leitura e escrita, alfabeto móvel.
Materiais ou Recursos Utilizados
Cartões, crachás com os nomes dos alunos, lápis alfabeto móvel folha de papel, sulfite, pincel.
Reflexões Finais
Segundo a Proposta curricular da EJA, ler e escrever textos são os principais objetivos da Língua Portuguesa, por isso a leitura e a escrita é o principal bloco de conteúdo área, sendo que os demais servem como suporte e convergem para ele. Trabalhar com a composição do nome é propiciar e criar a oportunidade para o que o aluno entre em contato com diferentes tipos de textos e compreendam suas características.



REFERÊNCIAS

BRASIL, Câmera dos Deputados. Comissão de Educação. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/ce/plano-nacional-de-educacao/historico. Acesso em 16 de Ago. 2014;

BRASIL. Proposta Pedagógica para Educação de Jovens e Adultos. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/eja/propostacurricular/primeiros
egmento/propostacurricular.pdf. Acesso em 20 de Ago. 2014;

FONSECA, Mirella Villa de Araújo Tucunduva da. Educação de Jovens e Adultos: Desilgualdades e escolaridade: porque a EJA é necessária?. Caderno de Atividades. Anhanguera Publicações: Valinhos, 2014;

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra;

PIERRO, Maria Clara di. EJA em segundo plano. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/modalidades/eja-plano-618045.shtml. Acesso em: 20 de Ago. 2014;

SOUZA, Maria A. de. Educação de Jovens e Adultos. 2. ed. Curitiba: IBPEX, 2011. PLT 561.

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