O que é Educação não-formal?
A educação não-formal é aquela
que ocorre fora do sistema formal de ensino, é um processo organizado, mas os
resultados de aprendizagem, não são avaliados formalmente, ou seja, educação
voluntária, não hierárquica e baseia-se na motivação intrínseca dos formandos
que por si mesmos e procuram um tipo de aprendizagem ao longo da vida.
É produzida nas ações coletivas,
pelas redes associativas da sociedade civil, temos a categoria da educação
não-formal, não mais como construção teórica/abstrata e sim como ferramenta
operacional de análise na qual passa pela mediação de novas reflexões e
elaborações. O objetivo da categoria de educação não-formal está na sua
operacionalização a ser realizadas no campo de uma Pedagogia Social, e
destacando os colegiados escolares.
Metodologicamente temos neste
modelo de educação o desenvolvimento do processo de ensino/aprendizagem, na
cultura dos indivíduos e grupos, e sua problematização vem através da vida
cotidiana, conteúdo a serem realizados, métodos que passam pela sistematização
dos modos das pessoas agirem e de pensarem, podemos falar de algumas práticas
no seguimento sociais, as assistencialistas apoiadas por políticas sociais,
sendo voltada para ser humano, um cidadão, ou seja, homens e mulheres, em uma
perspectiva de emancipação, numa pedagogia libertadora e não integradora a uma
ordem social desigual, contra a discriminações, diferencias culturais etc,
sabemos que esta educação abrange alguns eixos tais como:
·
Educação
para justiça social;
·
Educação
para direitos;
·
Educação
para liberdade;
·
Educação
para igualdade;
·
Educação
para democracia;
·
Educação
contra discriminação;
·
Educação
pelo exercício da cultura, e para a manifestação das diferenças culturais.
Nos dias de hoje temos como uma
definição de “educação não-formal” (ou de “aprendizagem não-formal”), termos
ainda objeto de interpretações diferentes, culturas, tradições nacionais ou
contextos políticos-educativos de cada país ou região. “Educação
Não-Formal" tornou-se a designar no passado por uma "educação fora da
escola". Essa educação fora da escola se distingue da formal pois, ela é
de forma estrutural e organizada com os tipos de reconhecimento, qualificação e
tipo de aprendizagem.
Portanto, a educação não-formal é
vista como complementar – e não contraditória ou alternativa – ao sistema de
educação formal podendo ser desenvolvida em articulação permanente quer com a
educação formal, quer com a educação informal, por ser aquela que ocorre no
mundo, através da interação com o cotidiano, nos momentos em que interagimos
com as pessoas e o mundo que nos cercam, neste modelo o aprendizado se dá
através de ações coletivas cotidianos, pois tem como objetivo preparar o ser
humano para a civilidade. Desta forma, a Educação é entendida como “um bem
comum, adquirido ao longo da vida dos cidadãos em diferentes níveis e formas,
dependendo do nível sociocultural do indivíduo” (Gohn, 1999, p. 5).
Na educação não-formal há uma
diferença de ensino aprendizagem, já a educação formal tem lugar nas escolas,
colégios e instituições de ensino superior, tem currículos e regras de
certificação, a educação não-formal é acima de tudo um processo de aprendizagem
social, centrado no formando/educando, através de atividades que têm lugar fora
do sistema de ensino formal e sendo complementar, podemos fazer abordagens ao conceito
de educação não-formal.
Podemos dizer que a educação
não-formal se baseia na motivação intrínseca do formando e é voluntária e não-hierárquica
por natureza. Enquanto a um sistema de aprendizagem, as práticas comuns,
sobretudo no âmbito do trabalho comunitário, social ou juvenil, serviço
voluntário, de organizações não-governamentais ao nível local, nacional e
internacional. A variedade de espaços de aprendizagem: das associações às
empresas e às instituições públicas, do sector juvenil ao meio profissional, ao
voluntariado e as atividades recreativas.
O que é Associativismo e qual sua relação
com os projetos sociais?
Associativismo é o meio de
organizar grupos de interesse econômico autossustentável, é a base que liga a
consciência individual e o direito individual, a necessidade de agregação e
conjugação de esforços, base de organização da sociedade, ocorrendo pela união
de um grupo de pessoas, de empresas, de comerciantes, etc. Estas são as mesmas
bases dos projetos sociais que objetivam muda a realidade existente. Estas
iniciativas potenciam a cidadania e consciência social dos indivíduos,
envolvendo-os na construção de um futuro melhor e muitos destes projetos
atingem nível nacional.
Os problemas no Brasil são
crescentes, sejam eles de ordem política, econômica ou social, cujos impactos
sobre a população são percebidos claramente agravando as diferenças sociais em cenário
de desemprego, exclusão, precariedades e individualismo, onde as práticas
capitalistas de mercado, só reafirmam as desigualdades. Essas questões remetem
a diferentes formas de sobrevivência e uma delas é o associativismo como
garantia de direitos sociais fundamentais e de extrema relevância no mundo
contemporâneo. O associativismo, assim como outras formas de movimentos
sociais, possui suas especificidades e características, pois existem diferenças
regionais, no grau de seu desenvolvimento, de sua compreensão, organização e
planejamento, o que denota falta de educação formal para que se alce, no
Brasil, o desenvolvimento deste tipo de ação.
O associativismo tem o objetivo
de constitui-se numa exigência histórica e profunda de melhorar a qualidade da existência
humana, tido como uma das melhores possibilidades, pois faz com que a troca de
experiências e a convivência entre as pessoas se constituam em oportunidades de
crescimento e desenvolvimento. Por isso torna-se um instrumento vital para que
uma comunidade saia do anonimato impasse a ter maior expressão social,
política, ambiental e econômica. É por meio de uma associação que a comunidade
se fortalece e tem grandes chances de alcançar os objetivos comuns, como a luta
pela sobrevivência e pela melhoria das condições de vida de comunidades.
Sendo uma pessoa jurídica, a
associação se constitui livremente pela união de pessoas que têm um objetivo
comum. Essa união acontece pra melhoria das condições de vida do grupo e da
comunidade. Nas comunidades a participação, a solidariedade, a cooperação em
torno de objetivos comuns, têm sido fundamentais para assegurar melhores
condições de vida. Essa prática, mais do que uma forma de organização, é uma construção
e uma conquista social.
Este mesmos moldes seguem o projeto
social o qual se caracteriza como um plano ou um esforço solidário que tem como
objetivo melhorar um ou mais aspectos de uma sociedade. Essa definição a
Fundação Educacional Andradina apresenta para alicerçar suas diversas ações,
como a Campanha de doação de sangue, Atividades Físicas para Deficientes
Visuais, Recreação e Reforço Escolar para Crianças em Risco Social, entre
outras práticas:
O principal objetivo dos projetos
sociais é contribuir para a redução da pobreza e das desigualdades e atuar em
prol do desenvolvimento local, regional e nacional, gerando a inserção social,
digna e produtiva, de pessoas e grupos que vivem em risco ou em desvantagem
social na sociedade. Em síntese, promover o desenvolvimento com igualdade de
oportunidades e valorização das potencialidades locais. (ANDRADINA, 2015)
A uma diversidade de projetos
sociais, que semelhantes às definições de associações apresentadas
anteriormente, nascem da necessidade da população de uma determinada
comunidade, no desenvolvimento dos projetos sociais são fundamentais que sejam
claros os objetivos, especificar os recursos, declarar parcerias e como serão
analisados os resultados.
Porém, muitos atingem proporções
nacionais, como os provenientes da Rede Globo como o Ação Global, Amigos da
Escola, Criança Esperança. O Criança Esperança, por exemplo, existente há 30
anos “cria oportunidades de desenvolvimento para crianças, adolescentes e
jovens” (GLOBO, 2015). Segundo as informações do site “mais de R$ 290 milhões em doações foram investidos no Brasil
em mais de 5 mil projetos sociais, beneficiando mais de 4 milhões de crianças e
adolescentes em todo país” (Idem).
Assim, conclui-se que o
associativismo e os projetos sociais trilham os mesmos caminhos, ou seja, vão
ao encontro da necessidade da população, principalmente as marginalizadas,
visando criar oportunidades de formação e mudança de realidade onde muitos
sofrem com exclusão de condições condignas de renda/salário, saúde, educação,
moradia, transportes, entre outras, para a construção de um futuro melhor.
A
formação de sujeitos conscientes como resultado da educação não-formal
A educação não formal nasce,
geralmente, da necessidade das pessoas que se organizam para lutar pelos seus
direitos ou mudar situações desafiadoras do dia a dia. Em uma comunidade, por
exemplo, onde convive com a problemática do lixo domestico há uma necessidade
conscientizar e posteriormente uma desenvolver práticas que deverão se tornar
hábitos e assim eliminar o problema encontrado anteriormente sobre o lixo.
Em uma suposta comunidade, o
agente comunitário de saúde daquela região começa a notar muitos casos de
dengue, e analisando o ambiente da comunidade constatou-se a existência de um
local onde era uma antiga praça e atualmente tomada pelo lixo doméstico. Assim, o agente comunitário de saúde começou
a mobilizar e conscientizar a comunidade sobre o a importância de tratar o lixo
doméstico, assim surgiu o projeto “Lixo no lixo”, o qual tinha o objetivo
sensibilizar os habitantes daquela região respeito da situação de inúmeros
casos de dengue e demais doenças que podem ser evitadas com o tratamento
adequando o lixo. Por meio dessa sensibilização, pretende-se propor uma
reflexão sobre questões cruciais ligadas à melhoria das condições de vida de
toda população: esta situação já melhoraria se separássemos nossos resíduos, se
evitássemos o desperdício de alimentos através de manipulação e embalagens
adequadas e se, noutra esfera de ação cobrássemos, junto ao poder público, a
implementação de uma política de gerenciamento integrado do lixo urbano.
Inicialmente o foi marcada uma
reunião no centro comunitário do bairro, onde foram apresentados os diversos
casos de dengue ocorridos na comunidade, expondo as problemáticas sobre o lixo,
a importância de dar o devido destino aos resíduos. Com ajuda de alguns
moradores mais antigos foi apresentada diversas fotografias da praça onde
atualmente é o lixão daquela região.
Neste primeiro encontro foram
marcadas duas oficinas sobre reciclagem do lixo doméstico como uma forma de
estimular uma fonte a mais de renda para aqueles moradores. Por meio destas
oficinas, que ocorriam sempre nos fins de semana, novas ideias foram surgindo e
uma delas foi a revitalização da praça. Na terceira semana após as oficinas
houve a mobilização para a limpeza da praça com a distribuição de folhetos
explicando o projeto de revitalização e orientando sobre o descarte devido do
lixo, assim, na semana que se segui começou a seleção de objetos descartados naquela
praça e que poderia ser reutilizados de outra forma no ambiente, foram
separados pneus e garrafas pets para serem usados no paisagismo da praça, os
demais resíduos que não poderiam ser utilizados foram retirados e direcionados
para o lixão da cidade, com a ajuda da prefeitura.
Houve o envolvimento de toda comunidade que
após concluir a revitalização da pracinha, reuniram-se para discutir novas
ideias de como melhorar ainda mais a vida da comunidade e posteriormente foi
criada uma associação para a reciclagem de alguns resíduos sólidos e a coleta
seletiva do lixo. O projeto virou modelo para aquela região.
A Educação
não-formal e a Educação Profissional no Brasil
Com o advento da industrialização, o papel da educação
começa a mudar, havendo a necessidade de preparar para o mercado de trabalho,
porém novos caminhos educacionais foram tomados, ou seja, há a necessidade de
uma formação com um foco específico para o mercado de trabalho, aliados
aquisição de valores como a cidadania, justiça, igualdade, democracia. Assim
sendo, há uma forte relação entre a educação não-formal e a educação
Profissional que objetiva garantir o desenvolvimento dos jovens para uma
inserção cidadã na vida social e no mundo do trabalho, contribuir para a
elevação de escolaridade dos trabalhadores, ampliar o acesso à educação
integral e fortalecer a inclusão educacional, bem como inovar e diversificar os
currículos escolares, promovendo acesso dos estudantes ao conhecimento
científico, às artes, à cultura e ao trabalho.
As imagens abaixo refletem estas duas modalidades
de educação, sendo que as imagem 1 e
imagem 2 são exemplos de educação
não formal, promovidas por meios de organizações que visam a formação humana,
cultural e social de seus participa ntes. Já nas imagem 3 e imagem 4
ambas objetivam capacitar os participantes para o mercado de trabalho e
articular-se com políticas/programas/ações de desenvolvimento socioeconômico e
ambiental, e de geração de trabalho, emprego e renda, na perspectiva da
inclusão.
Imagem 1 Movimento Bandeirante. Disponível em: http://www.bandeirantes.org.br/imagens/quem_somos11.jpg. Acesso em 15 de mar. 2015.
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Imagem 2:
Projeto Pra Ver a Banda Passar. Disponível em:
http://www3.sme.pmmc.com.br/site2011/imagens/p_banda_passar/p_banda_passar_02.jpg.
Acesso em 15 de mar. 2015
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Imagem 3 Curso
ofertado pelo SENAI. Disponível em: http://www.adjoribr.com.br/polopoly_fs/1.1426725.1393351646!/image/3971998857.jpg_gen/derivatives/horizontal_w500/3971998857.jpg.
Acesso em 15 de mar. 2015
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Quais são as possíveis contribuições
da Educação não-formal no cotidiano da sociedade atual?
A educação não
formal, como já exposto anteriormente, é organizada com padrões diferentes do
sistema regular de ensino, por não seguir um currículo pré-definido norteado
por normas e diretrizes do MEC. Ao contrário a educação formal, o conteúdo é
definido a partir das necessidades das pessoas envolvidas.
As atividades
educacionais são organizadas e estruturadas de maneiras flexíveis, possuindo
objetivos claros e bem definidos. E este modelo de educação é aliado à educação
formal, e é oferecido tanto por instituição de ensino formal quanto por organizações
sociais, contudo não atribui graus ou títulos aos seus participantes, apenas
pode conceder certificados de aprendizagem obtida.
Segundo Gomes
(2014, p. 7), “há de se considerar que a Educação não formal tem como intuito
contribuir para a formação integral do indivíduo, voltada aos interesses e
necessidades dos educandos em ambiente adaptado para a sua cultura e seu meio
social”. Assim sendo, são características desta modalidade de educação:
· Estar focada em
quem aprende e não em quem ensina;
· Estar
estruturada de baixo para cima, ou seja, forte influência dos participantes na
definição do currículo a ser trabalhado;
· Flexibilidade;
· Ênfase na
prática, fortemente relacionada com o contexto local dos participantes.
(INFOJOVEM, 2014)
A Educação não-formal
abre um grande espaço para experimentar e aplicar diversas metodologias,
estimulando assim a liberdade de criação, por permitir ao educador estimular a
descoberta de novos conhecimentos a partir de situações do cotidiano e o
participante aprende a olhar o mundo além de uma técnica
ou metodologia que não está na sala de aula.
Por fim, existem
diferentes espaços educativos e nas ultimas décadas a educação voltada para a
formação social, característica forte da educação não-formal, é cada vez mais presente
em toda a sociedade por propiciar a formação plena do indivíduo voltada para a
diversidade e a cidadania.
REFERÊNCIAS
ANDRADINA, Fundação Educacional.
Projetos Sociais. Disponível em: http://www.fea.br/index.php/projetos-sociais. Acesso em 07 de mar. 2015;
GLOBO, Rede. Projetos Sociais.
Disponível em: http://redeglobo.globo.com/TVG/0,,3915,00.html. Acesso em 07 de mar. 2015.
GOHN, Maria da Glória. A educação não-formal e
cultura política. Impactos sobre o associativismo do terceiro setor. São Paulo:
Cortez, 1999.
________. Educação não formal
e o educador social. São Paulo: Cortez, 2010.
GOMES, Rita de Cassia Medeiros. Educação
Profissional e Educação em Ambientes Não Escolares: Compreendendo a
Educação Não Formal. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional,
2014;
INFOJOVEM. Educação Não Formal.
Disponível em: http://www.infojovem.org.br/infopedia/descubra-e-aprenda/educacao/educacao-nao-formal/. Acesso em 15 Mar. 2015;
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