quinta-feira, 23 de abril de 2015

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E EDUCAÇÃO EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES

O que é Educação não-formal?
A educação não-formal é aquela que ocorre fora do sistema formal de ensino, é um processo organizado, mas os resultados de aprendizagem, não são avaliados formalmente, ou seja, educação voluntária, não hierárquica e baseia-se na motivação intrínseca dos formandos que por si mesmos e procuram um tipo de aprendizagem ao longo da vida.
É produzida nas ações coletivas, pelas redes associativas da sociedade civil, temos a categoria da educação não-formal, não mais como construção teórica/abstrata e sim como ferramenta operacional de análise na qual passa pela mediação de novas reflexões e elaborações. O objetivo da categoria de educação não-formal está na sua operacionalização a ser realizadas no campo de uma Pedagogia Social, e destacando os colegiados escolares.
Metodologicamente temos neste modelo de educação o desenvolvimento do processo de ensino/aprendizagem, na cultura dos indivíduos e grupos, e sua problematização vem através da vida cotidiana, conteúdo a serem realizados, métodos que passam pela sistematização dos modos das pessoas agirem e de pensarem, podemos falar de algumas práticas no seguimento sociais, as assistencialistas apoiadas por políticas sociais, sendo voltada para ser humano, um cidadão, ou seja, homens e mulheres, em uma perspectiva de emancipação, numa pedagogia libertadora e não integradora a uma ordem social desigual, contra a discriminações, diferencias culturais etc, sabemos que esta educação abrange alguns eixos tais como:
·      Educação para justiça social;
·      Educação para direitos;
·      Educação para liberdade;
·      Educação para igualdade;
·      Educação para democracia;
·      Educação contra discriminação;
·      Educação pelo exercício da cultura, e para a manifestação das diferenças culturais.
Nos dias de hoje temos como uma definição de “educação não-formal” (ou de “aprendizagem não-formal”), termos ainda objeto de interpretações diferentes, culturas, tradições nacionais ou contextos políticos-educativos de cada país ou região. “Educação Não-Formal" tornou-se a designar no passado por uma "educação fora da escola". Essa educação fora da escola se distingue da formal pois, ela é de forma estrutural e organizada com os tipos de reconhecimento, qualificação e tipo de aprendizagem.
Portanto, a educação não-formal é vista como complementar – e não contraditória ou alternativa – ao sistema de educação formal podendo ser desenvolvida em articulação permanente quer com a educação formal, quer com a educação informal, por ser aquela que ocorre no mundo, através da interação com o cotidiano, nos momentos em que interagimos com as pessoas e o mundo que nos cercam, neste modelo o aprendizado se dá através de ações coletivas cotidianos, pois tem como objetivo preparar o ser humano para a civilidade. Desta forma, a Educação é entendida como “um bem comum, adquirido ao longo da vida dos cidadãos em diferentes níveis e formas, dependendo do nível sociocultural do indivíduo” (Gohn, 1999, p. 5).
Na educação não-formal há uma diferença de ensino aprendizagem, já a educação formal tem lugar nas escolas, colégios e instituições de ensino superior, tem currículos e regras de certificação, a educação não-formal é acima de tudo um processo de aprendizagem social, centrado no formando/educando, através de atividades que têm lugar fora do sistema de ensino formal e sendo complementar, podemos fazer abordagens ao conceito de educação não-formal.

Podemos dizer que a educação não-formal se baseia na motivação intrínseca do formando e é voluntária e não-hierárquica por natureza. Enquanto a um sistema de aprendizagem, as práticas comuns, sobretudo no âmbito do trabalho comunitário, social ou juvenil, serviço voluntário, de organizações não-governamentais ao nível local, nacional e internacional. A variedade de espaços de aprendizagem: das associações às empresas e às instituições públicas, do sector juvenil ao meio profissional, ao voluntariado e as atividades recreativas.

O que é Associativismo e qual sua relação com os projetos sociais?
Associativismo é o meio de organizar grupos de interesse econômico autossustentável, é a base que liga a consciência individual e o direito individual, a necessidade de agregação e conjugação de esforços, base de organização da sociedade, ocorrendo pela união de um grupo de pessoas, de empresas, de comerciantes, etc. Estas são as mesmas bases dos projetos sociais que objetivam muda a realidade existente. Estas iniciativas potenciam a cidadania e consciência social dos indivíduos, envolvendo-os na construção de um futuro melhor e muitos destes projetos atingem nível nacional.
Os problemas no Brasil são crescentes, sejam eles de ordem política, econômica ou social, cujos impactos sobre a população são percebidos claramente agravando as diferenças sociais em cenário de desemprego, exclusão, precariedades e individualismo, onde as práticas capitalistas de mercado, só reafirmam as desigualdades. Essas questões remetem a diferentes formas de sobrevivência e uma delas é o associativismo como garantia de direitos sociais fundamentais e de extrema relevância no mundo contemporâneo. O associativismo, assim como outras formas de movimentos sociais, possui suas especificidades e características, pois existem diferenças regionais, no grau de seu desenvolvimento, de sua compreensão, organização e planejamento, o que denota falta de educação formal para que se alce, no Brasil, o desenvolvimento deste tipo de ação.
O associativismo tem o objetivo de constitui-se numa exigência histórica e profunda de melhorar a qualidade da existência humana, tido como uma das melhores possibilidades, pois faz com que a troca de experiências e a convivência entre as pessoas se constituam em oportunidades de crescimento e desenvolvimento. Por isso torna-se um instrumento vital para que uma comunidade saia do anonimato impasse a ter maior expressão social, política, ambiental e econômica. É por meio de uma associação que a comunidade se fortalece e tem grandes chances de alcançar os objetivos comuns, como a luta pela sobrevivência e pela melhoria das condições de vida de comunidades.
Sendo uma pessoa jurídica, a associação se constitui livremente pela união de pessoas que têm um objetivo comum. Essa união acontece pra melhoria das condições de vida do grupo e da comunidade. Nas comunidades a participação, a solidariedade, a cooperação em torno de objetivos comuns, têm sido fundamentais para assegurar melhores condições de vida. Essa prática, mais do que uma forma de organização, é uma construção e uma conquista social.
Este mesmos moldes seguem o projeto social o qual se caracteriza como um plano ou um esforço solidário que tem como objetivo melhorar um ou mais aspectos de uma sociedade. Essa definição a Fundação Educacional Andradina apresenta para alicerçar suas diversas ações, como a Campanha de doação de sangue, Atividades Físicas para Deficientes Visuais, Recreação e Reforço Escolar para Crianças em Risco Social, entre outras práticas:
O principal objetivo dos projetos sociais é contribuir para a redução da pobreza e das desigualdades e atuar em prol do desenvolvimento local, regional e nacional, gerando a inserção social, digna e produtiva, de pessoas e grupos que vivem em risco ou em desvantagem social na sociedade. Em síntese, promover o desenvolvimento com igualdade de oportunidades e valorização das potencialidades locais. (ANDRADINA, 2015)

A uma diversidade de projetos sociais, que semelhantes às definições de associações apresentadas anteriormente, nascem da necessidade da população de uma determinada comunidade, no desenvolvimento dos projetos sociais são fundamentais que sejam claros os objetivos, especificar os recursos, declarar parcerias e como serão analisados os resultados.
Porém, muitos atingem proporções nacionais, como os provenientes da Rede Globo como o Ação Global, Amigos da Escola, Criança Esperança. O Criança Esperança, por exemplo, existente há 30 anos “cria oportunidades de desenvolvimento para crianças, adolescentes e jovens” (GLOBO, 2015). Segundo as informações do site “mais de R$ 290 milhões em doações foram investidos no Brasil em mais de 5 mil projetos sociais, beneficiando mais de 4 milhões de crianças e adolescentes em todo país” (Idem).
Assim, conclui-se que o associativismo e os projetos sociais trilham os mesmos caminhos, ou seja, vão ao encontro da necessidade da população, principalmente as marginalizadas, visando criar oportunidades de formação e mudança de realidade onde muitos sofrem com exclusão de condições condignas de renda/salário, saúde, educação, moradia, transportes, entre outras, para a construção de um futuro melhor.

A formação de sujeitos conscientes como resultado da educação não-formal
A educação não formal nasce, geralmente, da necessidade das pessoas que se organizam para lutar pelos seus direitos ou mudar situações desafiadoras do dia a dia. Em uma comunidade, por exemplo, onde convive com a problemática do lixo domestico há uma necessidade conscientizar e posteriormente uma desenvolver práticas que deverão se tornar hábitos e assim eliminar o problema encontrado anteriormente sobre o lixo.
Em uma suposta comunidade, o agente comunitário de saúde daquela região começa a notar muitos casos de dengue, e analisando o ambiente da comunidade constatou-se a existência de um local onde era uma antiga praça e atualmente tomada pelo lixo doméstico.   Assim, o agente comunitário de saúde começou a mobilizar e conscientizar a comunidade sobre o a importância de tratar o lixo doméstico, assim surgiu o projeto “Lixo no lixo”, o qual tinha o objetivo sensibilizar os habitantes daquela região respeito da situação de inúmeros casos de dengue e demais doenças que podem ser evitadas com o tratamento adequando o lixo. Por meio dessa sensibilização, pretende-se propor uma reflexão sobre questões cruciais ligadas à melhoria das condições de vida de toda população: esta situação já melhoraria se separássemos nossos resíduos, se evitássemos o desperdício de alimentos através de manipulação e embalagens adequadas e se, noutra esfera de ação cobrássemos, junto ao poder público, a implementação de uma política de gerenciamento integrado do lixo urbano.
Inicialmente o foi marcada uma reunião no centro comunitário do bairro, onde foram apresentados os diversos casos de dengue ocorridos na comunidade, expondo as problemáticas sobre o lixo, a importância de dar o devido destino aos resíduos. Com ajuda de alguns moradores mais antigos foi apresentada diversas fotografias da praça onde atualmente é o lixão daquela região.
Neste primeiro encontro foram marcadas duas oficinas sobre reciclagem do lixo doméstico como uma forma de estimular uma fonte a mais de renda para aqueles moradores. Por meio destas oficinas, que ocorriam sempre nos fins de semana, novas ideias foram surgindo e uma delas foi a revitalização da praça. Na terceira semana após as oficinas houve a mobilização para a limpeza da praça com a distribuição de folhetos explicando o projeto de revitalização e orientando sobre o descarte devido do lixo, assim, na semana que se segui começou a seleção de objetos descartados naquela praça e que poderia ser reutilizados de outra forma no ambiente, foram separados pneus e garrafas pets para serem usados no paisagismo da praça, os demais resíduos que não poderiam ser utilizados foram retirados e direcionados para o lixão da cidade, com a ajuda da prefeitura.
 Houve o envolvimento de toda comunidade que após concluir a revitalização da pracinha, reuniram-se para discutir novas ideias de como melhorar ainda mais a vida da comunidade e posteriormente foi criada uma associação para a reciclagem de alguns resíduos sólidos e a coleta seletiva do lixo. O projeto virou modelo para aquela região.

A Educação não-formal e a Educação Profissional no Brasil
Com o advento da industrialização, o papel da educação começa a mudar, havendo a necessidade de preparar para o mercado de trabalho, porém novos caminhos educacionais foram tomados, ou seja, há a necessidade de uma formação com um foco específico para o mercado de trabalho, aliados aquisição de valores como a cidadania, justiça, igualdade, democracia. Assim sendo, há uma forte relação entre a educação não-formal e a educação Profissional que objetiva garantir o desenvolvimento dos jovens para uma inserção cidadã na vida social e no mundo do trabalho, contribuir para a elevação de escolaridade dos trabalhadores, ampliar o acesso à educação integral e fortalecer a inclusão educacional, bem como inovar e diversificar os currículos escolares, promovendo acesso dos estudantes ao conhecimento científico, às artes, à cultura e ao trabalho.
As imagens abaixo refletem estas duas modalidades de educação, sendo que as imagem 1 e imagem 2 são exemplos de educação não formal, promovidas por meios de organizações que visam a formação humana, cultural e social de seus participa ntes. Já nas imagem 3 e imagem 4 ambas objetivam capacitar os participantes para o mercado de trabalho e articular-se com políticas/programas/ações de desenvolvimento socioeconômico e ambiental, e de geração de trabalho, emprego e renda, na perspectiva da inclusão.

Imagem 1 Movimento Bandeirante. Disponível em: http://www.bandeirantes.org.br/imagens/quem_somos11.jpg. Acesso em 15 de mar. 2015.

Imagem 2: Projeto Pra Ver a Banda Passar. Disponível em:




 Quais são as possíveis contribuições da Educação não-formal no cotidiano da sociedade atual?

A educação não formal, como já exposto anteriormente, é organizada com padrões diferentes do sistema regular de ensino, por não seguir um currículo pré-definido norteado por normas e diretrizes do MEC. Ao contrário a educação formal, o conteúdo é definido a partir das necessidades das pessoas envolvidas.
As atividades educacionais são organizadas e estruturadas de maneiras flexíveis, possuindo objetivos claros e bem definidos. E este modelo de educação é aliado à educação formal, e é oferecido tanto por instituição de ensino formal quanto por organizações sociais, contudo não atribui graus ou títulos aos seus participantes, apenas pode conceder certificados de aprendizagem obtida.
Segundo Gomes (2014, p. 7), “há de se considerar que a Educação não formal tem como intuito contribuir para a formação integral do indivíduo, voltada aos interesses e necessidades dos educandos em ambiente adaptado para a sua cultura e seu meio social”. Assim sendo, são características desta modalidade de educação:
·  Estar focada em quem aprende e não em quem ensina;
·  Estar estruturada de baixo para cima, ou seja, forte influência dos participantes na definição do currículo a ser trabalhado;
·  Flexibilidade;
·  Ênfase na prática, fortemente relacionada com o contexto local dos participantes. (INFOJOVEM, 2014)
A Educação não-formal abre um grande espaço para experimentar e aplicar diversas metodologias, estimulando assim a liberdade de criação, por permitir ao educador estimular a descoberta de novos conhecimentos a partir de situações do cotidiano e o participante aprende a olhar o mundo além de uma técnica ou metodologia que não está na sala de aula.
Por fim, existem diferentes espaços educativos e nas ultimas décadas a educação voltada para a formação social, característica forte da educação não-formal, é cada vez mais presente em toda a sociedade por propiciar a formação plena do indivíduo voltada para a diversidade e a cidadania. 


REFERÊNCIAS

ANDRADINA, Fundação Educacional. Projetos Sociais. Disponível em: http://www.fea.br/index.php/projetos-sociais. Acesso em 07 de mar. 2015;

GLOBO, Rede. Projetos Sociais. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/TVG/0,,3915,00.html. Acesso em 07 de mar. 2015.

GOHN, Maria da Glória. A educação não-formal e cultura política. Impactos sobre o associativismo do terceiro setor. São Paulo: Cortez, 1999.

________. Educação não formal e o educador social. São Paulo: Cortez, 2010.

GOMES, Rita de Cassia Medeiros. Educação Profissional e Educação em Ambientes Não Escolares: Compreendendo a Educação Não Formal. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, 2014;

INFOJOVEM. Educação Não Formal. Disponível em: http://www.infojovem.org.br/infopedia/descubra-e-aprenda/educacao/educacao-nao-formal/. Acesso em 15 Mar. 2015;

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